Tommaso Palamidessi O CANTO E A ARTE DO CANTAR SANTIFICANTE

Quando se quer cantar a posição da pessoa ou a postura deverá ser natural, simples e não rígida. Chegados ao solfejo seguro e perfeito, convém conhecer, antes de proceder além, como emitir com perfeição a voz afim de que aqueles que estão presos a maus hábitos de cantar não sejam nocivos no canto das melodias sacras.

A voz justa é o instrumento mais apropriado para exprimir os nossos pensamentos e sentimentos especialmente se voltados para Deus. A graça no canto além da atitude depende da boa escola do ensinador.

As regras para cantar como se convém são as seguintes:

  1.  Cantar tanto quanto possível em pé.
  2.  Cabeça ligeiramente inclinada para traz, de modo que o peito avance um pouco em frente. Jamais a cabeça deve ter-se baixada.
  3.  Não deve nunca ter os braços sobre o peito nem cruzá-los, e no caso como se tivesse um livro entre as mãos, se tenha a altura da boca e um pouco afastado do peito.
  4.  A boca seja mantida convenientemente aberta com os lábios na posição de quem sorri.
  5.  Mais que oval, a posição da boca seja arredondada, pronta a modificar-se segundo o que exige a normal emissão de cada vogal.
  6.  A voz deve ser  natural, clara, sem timbre nasal  e livre daquelas contracções provenientes dos músculos da laringe, então se envias em frente, se faça ouvir a voz para obter a máxima ressonância, e recomendamos evitar o tremido da laringe e da boca que  sabe a velhice.
  7.  A aspiração deve ser presa sem barulho partindo do fundo dos pulmões.  Regular e ter, pois, o ar de maneira a não dever prender a respiração todos os momentos.
  8.  Para evitar que a laringe seja ferida de ar frio, se deve respirar pelo nariz e não pela boca. Isto feito se passa ao vocalizo. 

A colocação da voz não é um procedimento fácil porque é como dizer “colocar no lugar a voz”; em outros termos é, disse-me o Maestro Angelo Rotunno, estabelecer a posição que deve ter o órgão vocal para emitir bem as singulares notas. O Rotunno sugeria a vocalização sobre vogais  IUOAE porque as vogais são automaticamente incorporadas e se articulam de modo alternado os lábios e o queixo. A boca completa (imaginariamente) um semicírculo igual a um C que significaria “canto”.

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A respiração deve imprimir ao som vocálico a qualidade de “força viva” que depois de ser acordada com vibrações das ance humanas (cordas vocais), volta a subir em vibrações além das cordas vocais, até a criar, como escreve o Meano, o elemento aéreo do som, ou seja a respiração fisiológica normal, aquela que alimenta de contínuo a nossa existência.

A respiração em estado de repouso e de produção da voz e do canto é diversa, porque, se na primeira (aquela normal) as duas fases respiratórias (inspiração e expiração) são quase iguais e funcionam reguladas ao automatismo fisiológico, na segunda a respiração para emitir a voz, há a cooperação consciente com uma inspiração mais curta e a expiração mais duradoira, em conexão ao comprimento da frase a dizer.

Quem se faz dono das expirações por todo o tempo na qual dura a intensidade das necessidades sonoras e do canto, pode dizer-se dono do falar e do cantar e é orador, actor e cantor perfeito.

A perfeita fonação se pode dizer fisiológicamente obtida quando com o exercício se consegue a coordenar a acção dos músculos inspiradores com aquela dos músculos expirantes, isto porque a expiração se desenvolve com a máxima lentidão.

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O som laringeo, aplicado em sentido acústico e musical, “tem constituído o tom fundamental do som vocal e as ondas sonoras projectadas no alto têm encontrado naquele determinado ponto da cavidade de ressonância a possibilidade de produzir os tons harmónicos, os supra tónicas harmónicas suplementares, que contribuem a criar o timbre de uma voz. Aqui está a colocação da voz.” .

Alguns autores falam de diversos géneros de colocações: há a colocação do órgão vocal a qual consiste na posição que assume a laringe nas emissões dos sons correlativamente em si mesmo e nos seus elementos e observa à colocação da voz é um conceito concreto, diferente da colocação abstracta da voz expressa de uma bem definida e consciente sensação subjectiva.

Outros autores falam da colocação ligeira e colocação forte da voz, ou seja o início ou carga da emissão do som, mas se referem ao comportamento das cordas vocais em acção quando emitem os sons. Uma posição assim entendida no sentido de posição assumida das cordas vocais em preparação de imitir um som, a nós  parece errada, porque a questão se deve desviar sobre a dinâmica muscular que estabelece a posição para emitir os sons.

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Sem alterar a natureza do sujeito e as suas possibilidades naturais físicas de estender a sua voz, a técnica de estudo deve só ajudar.

Todavia é inegável que a voz falada tem necessidade de uma educação, ou seja de uma justa e necessária colocação entendida como adaptação automática da cavidade de ressonância para  acolher o som fundamental, jorrado da laringe. Se trata de uma adaptação expontânea que faz falar o actor que sente voltar a subir a sua voz na cavidade de ressonância pronta a recebe-la.     Estando a voz limitada à extensão da meia oitava, não tem necessidade de técnicas especiais.

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A colocação da voz se começa com um grupo de notas centrais  (rejeitando as baixas), aquelas que possam ser emitidas pela voz com mais facilidade até sair com segurança, e empurrar gradualmente aos agudos e nos baixos, até à extrema possibilidade da própria extensão. Todavia, especialmente no início do canto, não convém nunca abusar da própria voz,  empurrando-a até os sons agudos pela impaciência e a ligeireza de alcançar uma extensão à qual pela lei da natureza não foram criados; isso pode constituir o enfraquecimento e  prejudicar-se e o arruinar da voz. 

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