RELIGIÕES MISTÉRICAS

  • INTRODUÇÃO AOS MISTÉRIOS MENORES E MAIORES

    TOMMASO PALAMIDESSI

    INTRODUÇÃO AOS MISTÉRIOS MENORES E MAIORES

    Alguns aspectos dos Mistérios Cristãos e antigos à luz da Arqueosofia

    Quarto Caderno

  • DEFINIÇÃO DO MISTÉRIO

    (T.Palamidessi, Introdução aos Mistérios Menores e Maiores)

    Em sentido estrito, o Mistérioé uma verdade que transcende o intelecto criado, e o transcende a tal ponto que, também revelada e acreditada, fica todavia obscura e velada durante a vida mortal, se não intervém a decifração, que o esoterismo consente, dos próprios mistérios. Pelo menos, de uma boa parte desses. A etimologia, ou seja a origem linguística do vocábulo “mistério”, deriva do Grego misterion= coisa fechada, escondida. Nós chamamos mistério tudo aquilo que se tem segredo, esconde-se àqueles que não poderão compreender o valor, ou seja às pessoas não preparadas e imaturas para compreender as verdades eternas. Junto aos gregos falava-se de Mistérios para indicar diversas coisas: rito segredo (arcanum, sacramentum), agora uma verdade escondida para comunicar só aos iniciados, segundo as afirmações de Eraclito, Pitagoras, Platão, Euripide e Aristofane.

  • A MISTAGOGIA

    (T.Palamidessi, Introdução aos Mistérios Menores e Maiores)

    A mistagogía, ou seja a iniciação aos Mistérios, dos antigos passou aos Cristãos esotéricos, onde definia-se “misto”  aquele que era admitido aos mistérios. A mística indicava uma actividade segreda, porque consistia em cerimónias teúrgicas e doutrinas impostadas sobre um carácter religioso e oculto. O adjectivo “místicos”, era no ambiente helénico, uma forma de culto escondido e misterioso reservado a quem era iniciado (mìstes), com as cerimónias arcanas que faziam principio à Iniciação.

  • Os Mistérios antigos

    (T.Palamidessi, Introdução aos Mistérios Menores e Maiores)

    Os Mistériosnasceram quando o homem compreendeu que o seu destino é a morte, com um estado de consciência crepuscular, nebulosa e infeliz num mundo de fantasmas. Por isso o esforço dos filósofos e dos sacerdotes é sempre estado aquele de descobrir como garantir por si e pelos outros uma vida consciente e feliz depois da morte: descobrir a via para morrer auto consciente, despertos e prontos por ser investidos da potência da Divindade. Os Mistérios antigos não cristãos e os Mistérios Cristãosrodam à volta do fenómeno mais impressionante e inelutável, depois do nascimento e a breve estada terrena: a morte. Conhecer a morte e vencer a morte, fugindo ao circuito das ilusões dos terrificante mundo dos trespassados.

  • O QUE SÃO OS MISTÉRIOS MENORES E MAIORES

    (T.Palamidessi, Introdução aos Mistérios Menores e Maiores)

    A Iniciação é a recepção de uma força espiritual chegada  de uma pessoa qualificada, e talvez do próprio Deus, pelo qual o recebedor muda a natureza e entra, com um rito especial, na Comunhão dos Iniciados e na Luz de Criador para receber sapiência, beatitude e imortalidade.

    A Iniciação antiga tinha diversos graus. Os Mistérios dividiam-se em Menores e Maiores. Este uso apoiava sobre bem precisos motivos. Essa traz característica do cristianismo esotérico, e em especial modo da escola catéquesica na Alexandria do Egipto, dita “Didaskaleion”. Os seus maiores instrutores foram, depois de Panteno: Clemente Alessandrino, Origenes. Tal Escola desenvolveu-se também em Cesareia da Palestina com a comparticipação de Alessandro, Bispo de Jerusalém, Origenes e Gregório o Taumaturgo.

    Nos graus inferiores da Iniciação, o ensinamento consistia numa preparação, dita dos Pequenos Mistérios, a fim de que o Neófito obtivesse o predomínio em três coisas: 1)- Purificação física; 2)- Síntese intelectual; 3)- Percepção espiritual. Nesta fase o aluno vinha instruído nas sete Artes e Ciências, ditas Liberais porque julgadas compatíveis com a dignidade do Homem Livre.

    Chamadas Trívio e Quadrívio, ao primeiro pertenciam as disciplinas propedêuticas: a Gramática, a Lógica e a Retórica; ao segundo pertenciam: a Aritmética, a Geometria, a Música e a Astronomia. Os Mestres adestravam no estudo da fisiologia e anatomia, na alquimia, na história da origem do homem, a sua constituição oculta ou metafisiológica. As análises da alma e das suas faculdades, os estados da vida depois da morte, a reincarnação. Em suma, nada era transcurado, além do estudo das Sagradas Escrituras e a prática das purificações diárias do corpo e da consciência. A mente era exercitada à concentração e meditação, em vista de ir além dos comuns estados da própria consciência.

    Desde o momento que o discípulo demonstrava ter adquirido os conhecimento teórico, estava verdadeiramente preparado à prática, e só agora lhe era possível, separando o corpo físico dos seus princípios energéticos ou subtis, havia um conhecimento experimental dos mundos supra-sensíveis. Isso é provado pelo testemunho de muitos autores antigos: “Feliz aqueles que descendo na tumba assim Iniciado - escrevia Pindaro - porque conhece o objectivo da vida e o reino dado a João”. Apuleio, da sua parte: “Eu me aproximei dos limites do trespasso; calquei os pés sobre o limiar de Proserpina e voltei passando através de todos os elementais; no meio da noite vi brilhar o sol em todo e seu deslumbrante esplendor; me aproximei do deuses do inferno, ao deuses do céu, os vi face a face, os adorei de perto. Eis tudo aquilo que posso dizer” (Metamorfose).

    Platão, no Fedone, escreve: “Os iniciados estão seguros de andar na companhia dos Deuses....Quem não é iniciado afunda na lama e somente quem tem percorrido a via mística penetra na eternidade”. No mesmo sentido podemos compreender as palavras de Sofocle: “Benditos aqueles que entram no reino das sombras como Iniciados! Para esses em tal reino a vida, para os outros penas e misérias somente”. Plotino, nas Enneadi descreve os resultados das extasie do Iniciado que vive a vida dos Deuses e dos homens beatos.

  • Mistérios Pagãos e Cristianismo

    T.Palamidessi, Introdução aos Mistérios Menores e Maiores

    Se existem analogias com os Mistérios pagãos, o Cristianismo apresenta as características que fazem por um lado uma religião, e por outro, uma ciência espiritual, original e completa, porque a religião popular e aristocrática é ao mesmo tempo, exotérica e esotérica. Disso, podemos precisar alguns pontos fundamentais:

  • A CONSTRUÇÃO DAS PIRÂMIDES

    A. Benassai O MISTÉRIO DAS PIRÂMIDES

    É opinião dos arqueólogos que as pirâmides foram construídas entre o fim da pré-história e a primeira idade do metal trabalhado. Naquela época os egípcios não sabiam trabalhar o metal, não dispunham ainda da roda e os seus conhecimentos científicos não podiam ser mais do que rudimentares. O antigo Reino não deixou achados arqueológicos que permitam especular sobre um uso difundido de ferramentas de arame. Deverão passar ainda 2000 anos antes que os instrumentos de ferro de pequenas dimensões se tornem de uso comum. Se excluirmos as pirâmides, as poucas informações a disposição até hoje não permitem demonstrar que durante o Antigo Reinoos egípcios possuíssem uma cultura matemática e científica de relevo, mas é necessário considerar que o património das ciências e das artes não era acessível ao povo, mas foi secretamente guardado pelos sacerdotes-cientistas nos seus templos. As noções de matemática e geometria encontradas em poucos papiros em época sucessiva são fragmentos de um conhecimento ainda mais completo. Não se pode portanto avaliar pelos achados de uso comum o grão de conhecimento de quem guiava e organizava o povo; os verdadeiros achados, que podem permitir uma avaliação científica adequada, são mesmo as Grandes Pirâmides, cuja existência não se pode discutir. 
  • Música e os Mistérios

    Tommaso Palamidessi, TRATADO DE MÚSICA E MELURGIA ARQUEOSÓFICA

    O canto e a música das escolas mistéricas pre-cristãs e cristãs não era e não podia ser litúrgico, ou seja destinado ao culto popular de Deus, mas “melurgico”, portanto reservado para aqueles que se sentiam a praticar a ascese até às mais excelsas consequências: a união mística. Em tudo isto a escola catequista de Alexandria do Egipto, Cesareia da Palestina, conheceu desenvolvidos notáveis que tais se mantiveram por muitos séculos.  Neste tipo de música foi instruído S. Gregorio o Taumaturgo, discípulo de Orígene, ele próprio organista e compositor assim como tocador de citara.

  • Música nos Mistérios Antigos

    Tommaso Palamidessi, TRATADO DE MÚSICA E MELURGIA ARQUEOSÓFICA

    O termo Música deriva das Musasque segundo o mito Órfico e Eleusino presidiam ao canto, à poesia, à musica, à dança, à astronomia e outros campos úteis à edificação física, moral e espiritual do homem. O seu numero, sabemo-lo, era de nove.

    Os Gregos comparavam os pequenos Mistérios com a Música, os grandes Mistérios com a filosofia. Aristide Quintiliano em De Musica, III, p. 165 escreve: “A música e a filosofia são neles próprios análogos como os pequenos e os grandes mistérios”.

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