Contemplação

  • A VIA DOS SÍMBOLOS E A TRANSMUTAÇÃO ESPIRITUAL

    TOMMASO PALAMIDESSI

    A VIA DOS SÍMBOLOS E A TRANSMUTAÇÃO ESPIRITUAL

    Décimo quarto Caderno

  • TEORIA E PRÁTICA DA MEDITAÇÃO

    O que é a meditação? A resposta é simples: a concentração prolongada torna-se meditação. Por outras palavras, a meditação é o desenvolvimento da concentração. A ela se devem aplicar as mesmas leis e condições reguladoras da concentração, sendo a diversidade toda na duração da mesma concentração. Com a prática, este procedimento psicológico meditativo polarizado sobre um determinado objecto produz uma corrente de ideias não influênciadas por outras; assim nasce um contínuo fluxo de consciência que leva a uma límpida, íntima e completa intuição.
  • AS FONTES BIBLIOGRÁFICAS PARA A CONHECIMENTO DOS SÍMBOLOS

    T. Palamidessi A VIA DOS SÍMBOLOS E A TRANSMUTAÇÃO ESPIRITUAL

    Antes de tratar de modo prático o uso de alguns símbolosa fim de cobrir a grave lacuna que existe acerca da meditação profundae a contemplação do símbolo, damos um elenco de obras do máximo interesse descritivo.
  • A MENTE É UMA MARAVILHOSA ALAVANCA DE COMANDO DO ESPÍRITO

    T. Palamidessi A VIA DOS SÍMBOLOS E A TRANSMUTAÇÃO ESPIRITUAL

    A mente humana tem propriedades maravilhosas das quais dependem todas as realizações interiores e exteriores: entre estas propriedades que podemos definir alavancas de comando psíco-espiritual, existem: a atenção mental, a concentração e a meditação, que é uma atenção prolongada. Recapitulando a definição dos enunciados acima, podemos dizer o seguinte:
  • O Caminho para Deus

    T. Palamidessi HISTÓRIA DO CRISTIANISMO ESOTÉRICO

    O caminho para Deus não é só uma questão de fé e de moralidade perfeita, mas também utilização de todas aquelas ciências, artes, técnicas que ajudam a libertar as correntes do mundo fenoménico. Há técnicas psicossomáticas sem as quais a preparação de baixo se torna quase impossível, apesar da ajuda da Graça, dos Sacramentos, da vida litúrgica.
  • ILUMINAÇÃO ORIENTAL E VIGIA PERENE CRISTÃ

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    Já temos assinalado ao objectivo da “vigia perene” que é obter a Iluminação permanente, e a Iluminação está na sua  essência  uma experiência interior, um compreender o  transcendente segundo a máxima perfeição humana. Temos na verdade feito entender que a verdadeira Iluminaçãoe a “Vigia perene” são uma conquista da alma cristã, mas não poucas pessoas buscam em vão esta Iluminação no Oriente, fora do Cristianismo, rejeitando sem  sequer conhecê-lo nem em superfície, nem em profundidade. Preferem os sistemas do Zene do Yogae de uma assim dita Meditação Transcendental, sem sequer suspeitar de ir acabar numa  espécie de Iluminaçãolimitada à esfera natural, bem separada, bastante afastada da Iluminação sobrenatural. Eles perseguem em boa fé os métodos óptimos, mas por um certo caminho ascético, não por certo místico e nem ao menos iniciático.

  • O ESTADO ONÍRICO OS SONHOS TERRENOS E OS SONHOS DO ALÉM

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    O sonho é o estado da consciência durante o sono, um imaginar e pensar dormindo; é um pensar inconsciente. Junto nos sonhos desenvolve-se um conflito de base entre os desejos e as repressões do sonhador: a luta que se desenvolve entre as cobiças instintivas do inconsciente e a censura moral. O sonho é também dado do inconsciente motivações dos distúrbios psicossomáticos.

    Sonhar é sempre uma via para uma diagnose. A moderna psiquiatria tem aprendido a descobrir dos sonhos os conflitos emocionais, responsáveis pelas más acções, dos maus pensamentos e da doença nervosa e mental. Os sonhos revelam a quem aprende a introspecção total e ao director espiritual, ao médico da alma, os nossos secretos desejos, os nossos medos, os nossos ódios, os nossos amores. Sonhando vem à galha o nosso verdadeiro eu. No sono manifestamos um despegado dualismo: o Anjo da Guarda bom e o Anjo da guarda mau que estão dentro de nós. O corpo dorme, mas a mente é desperta no sonho, e a imaginação se desenfreia livremente. O nosso íntimo eu quando sonhamos é livre e faz-nos satisfazer as tentações que reprimimos quando estamos acordados. O espelho da vida emocional do sonhadoré o sonho, e deste espelho  serve-se a lei do “contrapasso” depois da morte. Os nossos sonhos são diversos segundo a constituição e personalidade. Nos sonhos descobrimos a qualidade da nossas emoções, e isso é muito importante.

  • O TECIDO DO ESTADO “POST MORTEM” É FEITO DE SONHOS E DE REALIDADE

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    Insistirei um pouco sobre este argumento, porque que o drama da morte está intimamente associado ao simbolismo terrífico, aprazível e talvez  caiado dos sonhos. O despertar no além é acompanhado por sonhos com raras percepções de cenas verdadeiras, porque o indivíduo não tem ainda os cinco sentidos espirituais activos. Sonhará e lhe lembrará uma recordação de tudo quanto fez na sua vida, detendo-se sobre aquilo que devia ou não devia fazer ou não fez, sobre quanto podia fazer e não quis fazer. Deste ver sonhando, começará o trabalho da consciência. Depois remetendo-se nas regiões crepusculares deste novo mundo dos defuntos, sonhará ainda tais episódios que serão como o acto de acusa, mas verá verdadeiramente as pessoas que ofendeu, arruinou, matou, mas não saberá discernir pessoas verdadeiras da pessoa-sonho, porque não aprendeu quando estava vivo a libertar-se da ilusão e do jogo simbólico onírico.

  • TRÊS CONDIÇÕES INDISPENSÁVEIS PARA CONTEMPLAR DEUS NA SUA LUZ

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    As condições a fim de que o espírito possa contemplar Deus em Deus mesmo, na sua luz divina, sem intermediário, são três.

    A primeira condição consiste no estar exteriormente em perfeita ordem e  separado de todas as obras exteriores, como uma coluna imóvel; é a nudez perfeita. A contemplação não é possível se um é interiormente obsidiado por qualquer acto de virtude que se imprime como imagem no espírito, e quando acaba fica-se paralisados.

  • A ORAÇÃO PERPÉTUA

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    Apenas obtido o vazio mental, deixará de repetir-se a frase “nada”, como palavra-força para ajudar o treinamento para realizar o vazio mental para cada pensamento profano ou ditado pela imaginação, mas passarão ao grito de invocação, pronunciando sobre a onda do respiro só à inspiração.

  • O MUNDO SECRETO DA ORAÇÃO CONTÍNUA

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    Orar sempre”, recomenda com insistência S. Paulo (Tess.5,17), porque a oração é a fonte do nosso ser e a forma mais íntima da nossa vida. “Entra na tua câmara, fecha a porta e reza ao Pai que está no lugar secreto” (Mt.6,6). Estas palavras  convidam a entrar em si mesmos para fazer um santuário. O “lugar secreto” é o coração humano. A vida de oração, a sua densidade, a sua profundidade, o seu ritmo constituem a medida da nossa saúde espiritual e nos revelam qual seja.

    Jesus “de manhã levantou-se quando ainda era escuro e, saiu de casa, retirou-se num lugar deserto e lá rezou” (Mc. 1,35). O deserto, para os ascétas, é qualquer coisa de interior, significa concentração, recolhimento, silêncio do espirito. É a este nível, no qual o homem sai finalmente a  calar, que tem lugar a verdadeira oração, e que o homem é misteriosamente visitado. Para entender a voz do Verbo, necessita saber escutar o seu silêncio, aprendê-lo, sobretudo, porque é a “linguagem do século futuro”. O “silêncio do espírito” é superior persino à oração... A experiência dos mestres é categórica: se na nossa vida não somos capazes de fazer um posto ao recolhimento, ao silêncio, não podemos nunca alcançar um grau superior, como por exemplo ir rezar sobre a praças públicas. A oração nos dá conhecimento que uma parte de nós mesmos está imersa no mundo imediato, está constantemente presa às preocupações, e é, por assim dizer, dispersa, e que a outra a observa com  assombro e compaixão. O homem que se agita, faz rebentar de risos os anjos...

    A agua que mata a sede,  estila um silêncio que permite um voltar atras indispensável para entender-se. O recolhimento abre a alma até ao alto, mas também até o outro. S. Serafino pontualiza bem a questão: vida contemplativa ou vida activa? Pergunta  melhor artificiosa, o problema não está aqui, a verdadeira questão olha o coração, a sua dimensão, este imenso desatar do qual fala Orígene, capaz de conter Deus e todos os homens; e neste caso, disse S. Serafino: “conquista a paz interior e uma multidão de homens encontrarão em ti a sua salvação”.

    Estas são as felizes expressões de um profundo místico autor de estimáveis tratados.

    Do sagrado monte das beatitudes, Jesus disse às multidões: “Benditos os pobres em espírito porque deles é o reino dos céus (Mt.5,3); “Benditos os puros de coração porque verão Deus” (Mt.5,8). Mais tarde, escrevendo aos Efésios, S. Paulo rebate: “...deverão renovar-vos no espírito da vossa mente e revestir o homem novo, criado segundo Deus na justiça e na santidade verdadeira”  (Ef.4,20-24).  Estes três ditos confirmam a necessidade de desnudar o espírito, espoliando-os de cada traço de humanidade decaída, de esvaziar-se de tudo aquilo que não é Cristo; é a iluminação do pensamento manchado pelos sentimentos passionais, é  um apresentar-se a Deus na perfeita nudez exterior e interior, porque não é o espírito que peca, mas a alma turbada pelas imagens produzidas pelos venenos do mundo. Só a estas condições torna-se pobres em espírito e com o coração puro. Nada é realizável sem a lavagem preliminar da consciência à qual corresponde a lavagem das acções; nada é conquistável pelo indivíduo se não se põe além de todos os apostos e unifica-se em Cristo para merecer o apelativo do Filho de Deus por participação.

    A condição basilar para que Deus em hábitos em nós é o vazio absoluto de cada conteúdo terreno que a prática da “Vigia perene” prepara e instaura.

    Os sentidos interiores do homem secreto devem espiritualizar-se até  perceber na contemplação o reino de Deus e a sua glória. A transferência da alma no estado sobrenatural é obra gratuita do Eterno, mas a alma  por sua parte por quanto está na lei deve dispor-se ao encontro do Amor com o Deus Uno e Trino. Dispor-se significa esvaziar-se de tudo aquilo que não é Cristo porque a deificação ou theosis não pode ser alcançada e conseguida sem o Salvador. Ninguém chega ao Pai se não por Cristo (Gv.14,6). Este enunciado deve ser tido sempre presente na mente e no coração.

    Os meios que conferem o treinamento interior para prevenir à “Vigia perene” é o exercício ascético do “não pensar” ou o esvaziamento total do coração e da mente de tudo aquilo que não é Deus. 

    Em tal sentido S. Bonaventura é explícito: “É necessário não pensar aqui nada das criaturas, dos anjos, nem do próprio deus, porque  essa sapiência e perfeição não nasce pela meditação subtil, mas do desejo e do afecto da vontade” . Em outras palavras S. Bonaventura ensina  a não pensar a alcunché, nem menos a Deus, porque a criação de formas, imagens e coisas afins é um modo imperfeito de proceder até  à contemplação, por subtis que sejam estas imagens, como os conceitos de bondade, vontade, trindade, unidade, e também da mesma essência divina; imagens, espécies, também se apoiam deiformes, não são nunca Deus que não admite nem forma e imagem alguma. Desta opinião  estiveram sempre seja Clemente de Alessandria, Origene, S. Giovanni da Cruz ou S. Teresa.

    Do místico inglês do XVII sec., o beneditino Baker David Augustine, aprendemos: “ Junto Taulero, Arfio, e outros místicos lemos que  cada um que quer tornar-se espiritual de deve retirar os seus sentidos até o interno e  depois elevar estes sentidos internos à faculdade da alma superior ou intelectual e aí perdê-los e aniquilá-los. Portanto devem estas faculdade da alma superior reunir-se na sua unidade, que é o princípio ou a corrente da qual estas faculdades brotam e se derramam. Só esta unidade está em grau de unir-se perfeitamente com Deus, deve ser regulada para Deus. Eu não tenho nenhuma dúvida que a melhor oração e a melhor contemplação activa seja a completa libertação da alma de todas as coisas corporais”.

    É opinião que as técnicas que conduzem à transcendência sejam aquelas orientais do Zen e do Yoga. Essas conduziriam à iluminação transcendente. Nós duvidamos pela  conclusão de tais métodos, por retendo-os em certos aspectos bons, mas onde falta a fé cristã e o conceito de graça, tais técnicas podem abrir à iluminação natural e nenhum outro. São técnicas boas para esvaziar-nos dos pensamentos, mas não para encher-nos de qualquer coisa de verdadeiramente transcendental e que pode dar a iluminação sobrenatural.

    No reler os escritos de S. Massimo Confessor temos o reconhecimento dos seguintes tipos de iluminação: a natural e a sobrenatural. “E que seja o mundo espiritual de Deus, imenso e resplandecente, composto das contemplações morais (vida activa), naturais (primeiras contemplações) e teológicas (contemplação de Deus)”.

    Ficar intrappolati pelas primeiras contemplações, aquelas naturais, e felicitar-se ilusoriamente destas é a experiência usual do não cristão. A força motriz do ardente desejo de encontrar Deus, deve impulsionar além a experiência da primeira iluminação.

    A vida activa perfeita, a meditação do vazio e a oração contínua do coração coadjuvados pelos Sacramentos fazem partícipes do Mistério do Oitavo dia.

    Quando a “Vigia perene” é conseguida tem-se o deixa passar ao Sacramentum octavi, justas as expressões de S. Agostino, porque só então será possível ver a glória de Deus nas “Divinas energias incriadas”.

    A constância do treinamento interior conduz à saída tornando-se um daqueles ao qual o Apocalipse segundo Giovanni anuncia: “O vencedor será portanto vestido de branco vestes e não cancelarei o seu nome do livro da vida, mas o reconhecerei diante ao meu Pai e diante aos seus anjos” .

     

  • O MISTÉRIO DO OITOVO DIA COROAÇÃO DA VIGIA PERENE

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    O sagrado é a torrente impetuosa e revolvente das aguas divinas meste mundo absolutamente diverso. Pela sua natureza neste mundo nada é jamais sagrado e santo, mas torna-o só por participação. O acto divino tira uma coisa ou um indivíduo do seu mundo empírico, natural, e o coloca em comunhão com as forças transcendentes e santificantes.

Contacta-nos

Para entrar em contato com Arqueosófica, por questões relativas à atividades ou ao material da escola, pode deixar uma mensagem aqui. Adere á Arqueosófica e difundam a Arqueosofia para a salvação daquilo que na actual sociedade mundial é ainda possível salvar.