oração continua

  • A oração continua do coração

    T. Palamidessi A ASCESE MÍSTICA E A MEDITAÇAO SOBRE O CORAÇÃO

    Na agitação, na volubilidade, no aparente abandono por parte de Deus ou do Mestre terreno, aconselhados pelo pessimismo e pelos semeadores de ervas daninhas, podereis interromper a Cardiognose, o conhecimento espiritual do coração, antes de chegar às primeiras consolações.
     
    O bom êxito é o fruto da perfeita atenção que é o arpão da vontade, e a vontade treinada reconhece-se por intermédio duma atenção sem defeitos: atenção focada e dirigida como uma seta lançada pelo archeiro, que alcança o alvo. O bom êxito é a perseverança: “Perseveras na oração” (Actos, I:14); “O Reino dos Céus toma-se com a força” (Mateus,11:12). Toma-se de força, com a força, este é um conceito mais que místico, é uma sugestão Iniciática.
     
    Sendo assim, o exercício deverá ser contínuo, começando com 300 invocações por dia aumentando-as tanto quanto possìvel. No começo seremos nós a fazer a oração, depois será a oração a nascer por si, espontaneamente no coração em todas as ocupações sérias e comuns, acordados e no sono: um sono que será “insónia” espiritual.
     
    Irão facilitar o próprio trabalho usando um comprido terço feito de grãos de madeira colocados numa pequena corda, e que acaba numa cruz que sobressai duma flor de Lótus; terão a possibilidade de desfiar um grão de cada vez, por cada invocação ritmada com a respiração: SENHOR JESUS CRISTO, FILHO DE DEUS, TEM PIEDADE DE MIM PECADOR! Ou poderão escolher esta fórmula: SENHOR JESUS VENHA O TEU REINO! Ou: JESUS FAZ-TE VER.
     
    Podermos usar as duas fórmulas em alternância. O terço é o relógio que não distrai usado entre os Católicos, os Islâmicos, os Ortodoxos e os Tibetanos. Tomemos atenção àquilo que, na linguagem teológica ascética e mística, é definido “discernimento dos espíritos”, porque as insidias da meditação, por obra do inconsciente infestado de imagens armadilhas, são muitas e mortais. A alma emotiva deve dar conta à alma erosdinâmica que deita continuamente como o choco o negro da concupiscência, do erro e dos instintos selvagens. Defender-se não é simples. A mente flutua, mil pensamentos desconexos afluem para impedir a real visão de Deus.
     
    A Filocalia (= ou Amor pela Beleza) dá importantes sugestões sobre a oração do coração dos anacoretas do hesicasmo ortodoxo(Simão o Novo Teólogo, São Gregório do Sinai, São Niceforo o Abstinente). Nós arqueósofos levamos também em conta as meditações do coração usadas pelos Sufis do Islão, prática chamada na linguagem árabe dhikr, segundo a fórmula clássica: la ilah illa Allah = “Não existe Divindade além de Deus”. Simultaneamente não negligenciamos aquela hindu do OM, ou a hebraica AUM segundo o Santo Nome de Deus Secreto, ou seja aquilo que o Grão Sacrificadorpronunciava no dia do Yom Kippur no “Santos dos Santos” em Jerusalém. O método aqui exposto é o que convém para um Cristão exotérico e esotérico que do próprio coração quer fazer o “Graal” e um Tabernáculo do Senhor para receber a Eucaristia. É um método que leva em conta os impedimentos psicossomáticos, e deste modo, é apto para o indivíduo moderno.
  • O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    TOMMASO PALAMIDESSI

    O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    Trigésimo oitavo Caderno

  • A ORAÇÃO PERPÉTUA

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    Apenas obtido o vazio mental, deixará de repetir-se a frase “nada”, como palavra-força para ajudar o treinamento para realizar o vazio mental para cada pensamento profano ou ditado pela imaginação, mas passarão ao grito de invocação, pronunciando sobre a onda do respiro só à inspiração.

  • O MUNDO SECRETO DA ORAÇÃO CONTÍNUA

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    Orar sempre”, recomenda com insistência S. Paulo (Tess.5,17), porque a oração é a fonte do nosso ser e a forma mais íntima da nossa vida. “Entra na tua câmara, fecha a porta e reza ao Pai que está no lugar secreto” (Mt.6,6). Estas palavras  convidam a entrar em si mesmos para fazer um santuário. O “lugar secreto” é o coração humano. A vida de oração, a sua densidade, a sua profundidade, o seu ritmo constituem a medida da nossa saúde espiritual e nos revelam qual seja.

    Jesus “de manhã levantou-se quando ainda era escuro e, saiu de casa, retirou-se num lugar deserto e lá rezou” (Mc. 1,35). O deserto, para os ascétas, é qualquer coisa de interior, significa concentração, recolhimento, silêncio do espirito. É a este nível, no qual o homem sai finalmente a  calar, que tem lugar a verdadeira oração, e que o homem é misteriosamente visitado. Para entender a voz do Verbo, necessita saber escutar o seu silêncio, aprendê-lo, sobretudo, porque é a “linguagem do século futuro”. O “silêncio do espírito” é superior persino à oração... A experiência dos mestres é categórica: se na nossa vida não somos capazes de fazer um posto ao recolhimento, ao silêncio, não podemos nunca alcançar um grau superior, como por exemplo ir rezar sobre a praças públicas. A oração nos dá conhecimento que uma parte de nós mesmos está imersa no mundo imediato, está constantemente presa às preocupações, e é, por assim dizer, dispersa, e que a outra a observa com  assombro e compaixão. O homem que se agita, faz rebentar de risos os anjos...

    A agua que mata a sede,  estila um silêncio que permite um voltar atras indispensável para entender-se. O recolhimento abre a alma até ao alto, mas também até o outro. S. Serafino pontualiza bem a questão: vida contemplativa ou vida activa? Pergunta  melhor artificiosa, o problema não está aqui, a verdadeira questão olha o coração, a sua dimensão, este imenso desatar do qual fala Orígene, capaz de conter Deus e todos os homens; e neste caso, disse S. Serafino: “conquista a paz interior e uma multidão de homens encontrarão em ti a sua salvação”.

    Estas são as felizes expressões de um profundo místico autor de estimáveis tratados.

    Do sagrado monte das beatitudes, Jesus disse às multidões: “Benditos os pobres em espírito porque deles é o reino dos céus (Mt.5,3); “Benditos os puros de coração porque verão Deus” (Mt.5,8). Mais tarde, escrevendo aos Efésios, S. Paulo rebate: “...deverão renovar-vos no espírito da vossa mente e revestir o homem novo, criado segundo Deus na justiça e na santidade verdadeira”  (Ef.4,20-24).  Estes três ditos confirmam a necessidade de desnudar o espírito, espoliando-os de cada traço de humanidade decaída, de esvaziar-se de tudo aquilo que não é Cristo; é a iluminação do pensamento manchado pelos sentimentos passionais, é  um apresentar-se a Deus na perfeita nudez exterior e interior, porque não é o espírito que peca, mas a alma turbada pelas imagens produzidas pelos venenos do mundo. Só a estas condições torna-se pobres em espírito e com o coração puro. Nada é realizável sem a lavagem preliminar da consciência à qual corresponde a lavagem das acções; nada é conquistável pelo indivíduo se não se põe além de todos os apostos e unifica-se em Cristo para merecer o apelativo do Filho de Deus por participação.

    A condição basilar para que Deus em hábitos em nós é o vazio absoluto de cada conteúdo terreno que a prática da “Vigia perene” prepara e instaura.

    Os sentidos interiores do homem secreto devem espiritualizar-se até  perceber na contemplação o reino de Deus e a sua glória. A transferência da alma no estado sobrenatural é obra gratuita do Eterno, mas a alma  por sua parte por quanto está na lei deve dispor-se ao encontro do Amor com o Deus Uno e Trino. Dispor-se significa esvaziar-se de tudo aquilo que não é Cristo porque a deificação ou theosis não pode ser alcançada e conseguida sem o Salvador. Ninguém chega ao Pai se não por Cristo (Gv.14,6). Este enunciado deve ser tido sempre presente na mente e no coração.

    Os meios que conferem o treinamento interior para prevenir à “Vigia perene” é o exercício ascético do “não pensar” ou o esvaziamento total do coração e da mente de tudo aquilo que não é Deus. 

    Em tal sentido S. Bonaventura é explícito: “É necessário não pensar aqui nada das criaturas, dos anjos, nem do próprio deus, porque  essa sapiência e perfeição não nasce pela meditação subtil, mas do desejo e do afecto da vontade” . Em outras palavras S. Bonaventura ensina  a não pensar a alcunché, nem menos a Deus, porque a criação de formas, imagens e coisas afins é um modo imperfeito de proceder até  à contemplação, por subtis que sejam estas imagens, como os conceitos de bondade, vontade, trindade, unidade, e também da mesma essência divina; imagens, espécies, também se apoiam deiformes, não são nunca Deus que não admite nem forma e imagem alguma. Desta opinião  estiveram sempre seja Clemente de Alessandria, Origene, S. Giovanni da Cruz ou S. Teresa.

    Do místico inglês do XVII sec., o beneditino Baker David Augustine, aprendemos: “ Junto Taulero, Arfio, e outros místicos lemos que  cada um que quer tornar-se espiritual de deve retirar os seus sentidos até o interno e  depois elevar estes sentidos internos à faculdade da alma superior ou intelectual e aí perdê-los e aniquilá-los. Portanto devem estas faculdade da alma superior reunir-se na sua unidade, que é o princípio ou a corrente da qual estas faculdades brotam e se derramam. Só esta unidade está em grau de unir-se perfeitamente com Deus, deve ser regulada para Deus. Eu não tenho nenhuma dúvida que a melhor oração e a melhor contemplação activa seja a completa libertação da alma de todas as coisas corporais”.

    É opinião que as técnicas que conduzem à transcendência sejam aquelas orientais do Zen e do Yoga. Essas conduziriam à iluminação transcendente. Nós duvidamos pela  conclusão de tais métodos, por retendo-os em certos aspectos bons, mas onde falta a fé cristã e o conceito de graça, tais técnicas podem abrir à iluminação natural e nenhum outro. São técnicas boas para esvaziar-nos dos pensamentos, mas não para encher-nos de qualquer coisa de verdadeiramente transcendental e que pode dar a iluminação sobrenatural.

    No reler os escritos de S. Massimo Confessor temos o reconhecimento dos seguintes tipos de iluminação: a natural e a sobrenatural. “E que seja o mundo espiritual de Deus, imenso e resplandecente, composto das contemplações morais (vida activa), naturais (primeiras contemplações) e teológicas (contemplação de Deus)”.

    Ficar intrappolati pelas primeiras contemplações, aquelas naturais, e felicitar-se ilusoriamente destas é a experiência usual do não cristão. A força motriz do ardente desejo de encontrar Deus, deve impulsionar além a experiência da primeira iluminação.

    A vida activa perfeita, a meditação do vazio e a oração contínua do coração coadjuvados pelos Sacramentos fazem partícipes do Mistério do Oitavo dia.

    Quando a “Vigia perene” é conseguida tem-se o deixa passar ao Sacramentum octavi, justas as expressões de S. Agostino, porque só então será possível ver a glória de Deus nas “Divinas energias incriadas”.

    A constância do treinamento interior conduz à saída tornando-se um daqueles ao qual o Apocalipse segundo Giovanni anuncia: “O vencedor será portanto vestido de branco vestes e não cancelarei o seu nome do livro da vida, mas o reconhecerei diante ao meu Pai e diante aos seus anjos” .

     

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