LUZ INTERIOR

  • A ASCESE MÍSTICA E A MEDITAÇÃO SOBRE O CORAÇÃO

    TOMMASO PALAMIDESSI

    A ASCESE MÍSTICA E A MEDITAÇÃO SOBRE O CORAÇÃO

    Tratado de Cardiognose Arqueosófica

    Caderno Onze

  • Os Mortos e o Mundo Além a Vida

    T. Palamidessi COMO DESDOBRAR-SE E VIAJAR NOS MUNDOS SUPRA SENSIVEIS

    1. Os mortos passam, durante a inquietação pré-agónico, através da recordação resumida de todos os acontecimentos da sua existência. Como costuma dizer-se, têm uma visão panorâmica daquilo que fizeram de bem e de mal durante a estada sobre a terra. É a visão do espelho.
    2. O QUE É A CARDIOGNOSE?

      T. Palamidessi A ASCESE MÍSTICA E A MEDITAÇAO SOBRE O CORAÇÃO

      A doutrina do Coração e a do Olho do Coração constituem os caminhos que cada um de nós tem que percorrer para chegar até aos sublimes cumes da perfeição. Cada pessoa que vem ao mundo não é igual a outra. Algumas nascem já maduras, evoluídas ou desenvolvidas espiritualmente, outras têm que se aperfeiçoar com o contínuo trabalho da ascese. A ascese pressupõe uma base teórica ou hipótese de trabalho, já traçada por outras pessoas que têm vivido experimentalmente o caminho de retorno a Deus.
    3. A LUZ INTERIOR

      T. Palamidessi A ASCESE MÍSTICA E A MEDITAÇAO SOBRE O CORAÇÃO

      A experiência místicadeve ser facilitada com a oração diária e incessante polarizada na região do coração: o lugar onde se experimenta a “Luz Interior”. Neste sentido, escreve São Clímaco na “Escada do Paraíso” (degrau 23:129): “O Monge é uma luz que não se apaga no olho do coração”.
    4. O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

      TOMMASO PALAMIDESSI

      O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

      Trigésimo oitavo Caderno

    5. DEFINIÇÕES DA “VIGIA PERENE”

      T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

      Quem não dorme está desperto, mas se resiste voluntariamente ao sono, então diz-se que vigia. A “Vigia perene” è um estado extraordinário espiritual e ao mesmo tempo sobrenatural, consistente na junção da vigia interior com tudo aquilo que de externo e imortal está em nós por obra do Filho de Deus, o Senhor Jesus Cristo, em vista da permanente união transformante de Amor com a Trindade Santa

    6. ILUMINAÇÃO ORIENTAL E VIGIA PERENE CRISTÃ

      T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

      Já temos assinalado ao objectivo da “vigia perene” que é obter a Iluminação permanente, e a Iluminação está na sua  essência  uma experiência interior, um compreender o  transcendente segundo a máxima perfeição humana. Temos na verdade feito entender que a verdadeira Iluminaçãoe a “Vigia perene” são uma conquista da alma cristã, mas não poucas pessoas buscam em vão esta Iluminação no Oriente, fora do Cristianismo, rejeitando sem  sequer conhecê-lo nem em superfície, nem em profundidade. Preferem os sistemas do Zene do Yogae de uma assim dita Meditação Transcendental, sem sequer suspeitar de ir acabar numa  espécie de Iluminaçãolimitada à esfera natural, bem separada, bastante afastada da Iluminação sobrenatural. Eles perseguem em boa fé os métodos óptimos, mas por um certo caminho ascético, não por certo místico e nem ao menos iniciático.

    7. TRÊS CONDIÇÕES INDISPENSÁVEIS PARA CONTEMPLAR DEUS NA SUA LUZ

      T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

      As condições a fim de que o espírito possa contemplar Deus em Deus mesmo, na sua luz divina, sem intermediário, são três.

      A primeira condição consiste no estar exteriormente em perfeita ordem e  separado de todas as obras exteriores, como uma coluna imóvel; é a nudez perfeita. A contemplação não é possível se um é interiormente obsidiado por qualquer acto de virtude que se imprime como imagem no espírito, e quando acaba fica-se paralisados.

    8. A ORAÇÃO PERPÉTUA

      T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

      Apenas obtido o vazio mental, deixará de repetir-se a frase “nada”, como palavra-força para ajudar o treinamento para realizar o vazio mental para cada pensamento profano ou ditado pela imaginação, mas passarão ao grito de invocação, pronunciando sobre a onda do respiro só à inspiração.

    9. O MUNDO SECRETO DA ORAÇÃO CONTÍNUA

      T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

      Orar sempre”, recomenda com insistência S. Paulo (Tess.5,17), porque a oração é a fonte do nosso ser e a forma mais íntima da nossa vida. “Entra na tua câmara, fecha a porta e reza ao Pai que está no lugar secreto” (Mt.6,6). Estas palavras  convidam a entrar em si mesmos para fazer um santuário. O “lugar secreto” é o coração humano. A vida de oração, a sua densidade, a sua profundidade, o seu ritmo constituem a medida da nossa saúde espiritual e nos revelam qual seja.

      Jesus “de manhã levantou-se quando ainda era escuro e, saiu de casa, retirou-se num lugar deserto e lá rezou” (Mc. 1,35). O deserto, para os ascétas, é qualquer coisa de interior, significa concentração, recolhimento, silêncio do espirito. É a este nível, no qual o homem sai finalmente a  calar, que tem lugar a verdadeira oração, e que o homem é misteriosamente visitado. Para entender a voz do Verbo, necessita saber escutar o seu silêncio, aprendê-lo, sobretudo, porque é a “linguagem do século futuro”. O “silêncio do espírito” é superior persino à oração... A experiência dos mestres é categórica: se na nossa vida não somos capazes de fazer um posto ao recolhimento, ao silêncio, não podemos nunca alcançar um grau superior, como por exemplo ir rezar sobre a praças públicas. A oração nos dá conhecimento que uma parte de nós mesmos está imersa no mundo imediato, está constantemente presa às preocupações, e é, por assim dizer, dispersa, e que a outra a observa com  assombro e compaixão. O homem que se agita, faz rebentar de risos os anjos...

      A agua que mata a sede,  estila um silêncio que permite um voltar atras indispensável para entender-se. O recolhimento abre a alma até ao alto, mas também até o outro. S. Serafino pontualiza bem a questão: vida contemplativa ou vida activa? Pergunta  melhor artificiosa, o problema não está aqui, a verdadeira questão olha o coração, a sua dimensão, este imenso desatar do qual fala Orígene, capaz de conter Deus e todos os homens; e neste caso, disse S. Serafino: “conquista a paz interior e uma multidão de homens encontrarão em ti a sua salvação”.

      Estas são as felizes expressões de um profundo místico autor de estimáveis tratados.

      Do sagrado monte das beatitudes, Jesus disse às multidões: “Benditos os pobres em espírito porque deles é o reino dos céus (Mt.5,3); “Benditos os puros de coração porque verão Deus” (Mt.5,8). Mais tarde, escrevendo aos Efésios, S. Paulo rebate: “...deverão renovar-vos no espírito da vossa mente e revestir o homem novo, criado segundo Deus na justiça e na santidade verdadeira”  (Ef.4,20-24).  Estes três ditos confirmam a necessidade de desnudar o espírito, espoliando-os de cada traço de humanidade decaída, de esvaziar-se de tudo aquilo que não é Cristo; é a iluminação do pensamento manchado pelos sentimentos passionais, é  um apresentar-se a Deus na perfeita nudez exterior e interior, porque não é o espírito que peca, mas a alma turbada pelas imagens produzidas pelos venenos do mundo. Só a estas condições torna-se pobres em espírito e com o coração puro. Nada é realizável sem a lavagem preliminar da consciência à qual corresponde a lavagem das acções; nada é conquistável pelo indivíduo se não se põe além de todos os apostos e unifica-se em Cristo para merecer o apelativo do Filho de Deus por participação.

      A condição basilar para que Deus em hábitos em nós é o vazio absoluto de cada conteúdo terreno que a prática da “Vigia perene” prepara e instaura.

      Os sentidos interiores do homem secreto devem espiritualizar-se até  perceber na contemplação o reino de Deus e a sua glória. A transferência da alma no estado sobrenatural é obra gratuita do Eterno, mas a alma  por sua parte por quanto está na lei deve dispor-se ao encontro do Amor com o Deus Uno e Trino. Dispor-se significa esvaziar-se de tudo aquilo que não é Cristo porque a deificação ou theosis não pode ser alcançada e conseguida sem o Salvador. Ninguém chega ao Pai se não por Cristo (Gv.14,6). Este enunciado deve ser tido sempre presente na mente e no coração.

      Os meios que conferem o treinamento interior para prevenir à “Vigia perene” é o exercício ascético do “não pensar” ou o esvaziamento total do coração e da mente de tudo aquilo que não é Deus. 

      Em tal sentido S. Bonaventura é explícito: “É necessário não pensar aqui nada das criaturas, dos anjos, nem do próprio deus, porque  essa sapiência e perfeição não nasce pela meditação subtil, mas do desejo e do afecto da vontade” . Em outras palavras S. Bonaventura ensina  a não pensar a alcunché, nem menos a Deus, porque a criação de formas, imagens e coisas afins é um modo imperfeito de proceder até  à contemplação, por subtis que sejam estas imagens, como os conceitos de bondade, vontade, trindade, unidade, e também da mesma essência divina; imagens, espécies, também se apoiam deiformes, não são nunca Deus que não admite nem forma e imagem alguma. Desta opinião  estiveram sempre seja Clemente de Alessandria, Origene, S. Giovanni da Cruz ou S. Teresa.

      Do místico inglês do XVII sec., o beneditino Baker David Augustine, aprendemos: “ Junto Taulero, Arfio, e outros místicos lemos que  cada um que quer tornar-se espiritual de deve retirar os seus sentidos até o interno e  depois elevar estes sentidos internos à faculdade da alma superior ou intelectual e aí perdê-los e aniquilá-los. Portanto devem estas faculdade da alma superior reunir-se na sua unidade, que é o princípio ou a corrente da qual estas faculdades brotam e se derramam. Só esta unidade está em grau de unir-se perfeitamente com Deus, deve ser regulada para Deus. Eu não tenho nenhuma dúvida que a melhor oração e a melhor contemplação activa seja a completa libertação da alma de todas as coisas corporais”.

      É opinião que as técnicas que conduzem à transcendência sejam aquelas orientais do Zen e do Yoga. Essas conduziriam à iluminação transcendente. Nós duvidamos pela  conclusão de tais métodos, por retendo-os em certos aspectos bons, mas onde falta a fé cristã e o conceito de graça, tais técnicas podem abrir à iluminação natural e nenhum outro. São técnicas boas para esvaziar-nos dos pensamentos, mas não para encher-nos de qualquer coisa de verdadeiramente transcendental e que pode dar a iluminação sobrenatural.

      No reler os escritos de S. Massimo Confessor temos o reconhecimento dos seguintes tipos de iluminação: a natural e a sobrenatural. “E que seja o mundo espiritual de Deus, imenso e resplandecente, composto das contemplações morais (vida activa), naturais (primeiras contemplações) e teológicas (contemplação de Deus)”.

      Ficar intrappolati pelas primeiras contemplações, aquelas naturais, e felicitar-se ilusoriamente destas é a experiência usual do não cristão. A força motriz do ardente desejo de encontrar Deus, deve impulsionar além a experiência da primeira iluminação.

      A vida activa perfeita, a meditação do vazio e a oração contínua do coração coadjuvados pelos Sacramentos fazem partícipes do Mistério do Oitavo dia.

      Quando a “Vigia perene” é conseguida tem-se o deixa passar ao Sacramentum octavi, justas as expressões de S. Agostino, porque só então será possível ver a glória de Deus nas “Divinas energias incriadas”.

      A constância do treinamento interior conduz à saída tornando-se um daqueles ao qual o Apocalipse segundo Giovanni anuncia: “O vencedor será portanto vestido de branco vestes e não cancelarei o seu nome do livro da vida, mas o reconhecerei diante ao meu Pai e diante aos seus anjos” .

       

    10. O MISTÉRIO DO OITOVO DIA COROAÇÃO DA VIGIA PERENE

      T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

      O sagrado é a torrente impetuosa e revolvente das aguas divinas meste mundo absolutamente diverso. Pela sua natureza neste mundo nada é jamais sagrado e santo, mas torna-o só por participação. O acto divino tira uma coisa ou um indivíduo do seu mundo empírico, natural, e o coloca em comunhão com as forças transcendentes e santificantes.

    11. A MEDITAÇÃO SOBRE A ESFERA SEXUAL E A ASCESE

      TOMMASO PALAMIDESSI

      A MEDITAÇÃO SOBRE A ESFERA SEXUAL E A ASCESE

      Décimo segundo caderno

    12. A TRANSMUTAÇÃO DO CORAÇÃO NOS SANTOS DA IGREJA

      TOMMASO PALAMIDESSI

      A TRANSMUTAÇÃO DO CORAÇÃO NOS SANTOS DA IGREJA

      Caderno 49º

    13. QUANDO E PORQUÊ SE MANIFESTAM OS SANTOS

      Tommaso Palamidessi A TRANSMUTAÇÃO DO CORAÇÃO NOS SANTOS DA IGREJA

      É Sabido que os santos da Igrejase manifestam ao horizonte da vida social e espiritual do mundo todas as vezes que as estruturas morais e religiosas  rangem e ameaçam andar em ruína. Pois bem, foi num destes momentos históricos difíceis que se fizeram em frente com a palavra e o exemplo a Santa de Pratoi Caterina de Ricci e a outra não menos famosa, Caterina de Siena, e antes delas nos séculos 13º, 14º, e 15º, S. Domenico de Gusmanno Velho Castelo, fundador do Ordem que leva o seu nome, cujo nascimento recorre o oitavo centenário; S. Vicenzo Ferreri, predicador, taumaturgo e unificador da Igreja; o Martir Girolamo Savonarola inspirador do “estado popular”, renovador do “Sacerdócio dos Fieis”, exortador ao “rigorismo ascético”.

    14. O SIMBOLISMO DO CORAÇÃO NAS SAGRADAS ESCRITURAS

      Tommaso Palamidessi A TRANSMUTAÇÃO DO CORAÇÃO NOS SANTOS DA IGREJA

      No Novo Testamento Jesus precisa que a causa humana do pecado é unicamente o coração. “Do coração vêm os pensamentos malvados, os homicídios, os adultérios, as fornicações, os furtos, as falsos testemunhos, as difamações” (Mateus,15:19). No coração se escuta a voz da consciência. O coraçãoconhece o homem e o reprovará se transgride os mandamentos de Deus.

    15. CASOS HISTÓRICOS DE TRANSMUTAÇÃO DO CORAÇÃO: SANTA CATERINA DE RICCI

      Tommaso Palamidessi A TRANSMUTAÇÃO DO CORAÇÃO NOS SANTOS DA IGREJA

      A substituição do coração nos Santos é fruto da Graça e do trabalho ascético bem desenvolvido. Isso conta ao seu activo numerosos casos célebres, mas por brevidade assinalaremos somente alguns entre aqueles que Deus tem consentido que fossem notórios a todos. De facto pode acontecer que tais sinais sejam visíveis, controláveis com os meios ordinários. As estigmas da crucificação, os lívidos da flagelação e pelo peso da cruz, as feridas na fronte e em torno da cabeça pela coroa de espinhos, o golpe de lança no costado e no coração como reais os outros sinais dolorosos da paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, possam também ser não visíveis, se bem que reais , por aqueles que têm recebido esta excelsa honra.

    16. COMO SE OBTEM A PAZ DO CORAÇÃO E A TRANSMUTAÇÃO DO CORAÇÃO

      Tommaso Palamidessi A TRANSMUTAÇÃO DO CORAÇÃO NOS SANTOS DA IGREJA

      Quaisquer método ou arte ascética cujo objectivo é de obter a “transmutação do coração” tem valor se Deus na sua misericórdia põe uma mão que nos ajuda com a sua Graça santificante e nos  leva fora da fatal “Rota da Vida” onde reina o Maligno mediante as três causas-raízes da existência terrena: avidez, ódio e ignorância. Premesso isto, reassumimos as directivas práticas para alcançar o objectivo.

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