MEDITAÇÃO SOBRE O CORAÇÃO

  • A ASCESE MÍSTICA E A MEDITAÇÃO SOBRE O CORAÇÃO

    TOMMASO PALAMIDESSI

    A ASCESE MÍSTICA E A MEDITAÇÃO SOBRE O CORAÇÃO

    Tratado de Cardiognose Arqueosófica

    Caderno Onze

  • O ITENERÁRIO ASCÉTICO PARA OBTER A MEDIUNITA ULTRAFÂNICA DOS PROFETAS E O GRANDE RETIRO DOS QUARENTA DIAS

    T. Palamidessi TORNAR-SE MÉDIUM A ALTO NÍVEL ULTRAFÂNICO

    Premissas que Deus, as suas divinas energias, as potências angélicas, os grandes espíritos guia da evolução humana, os parentes e os amigos que têm alcançado um elevado desenvolvimento espiritual, transmitem as suas mensagens a quem desejam e como desejam em base aos seus imperscrutáveis desígnios, sabemos também que o homem pode facilitar este fenómeno e dispor-se nas melhores condições de receptividade, seguindo um programa ou itinerário de vida ascética, mística e iniciática; premisso que vos sejais exercitados a longo na prática da atenção, meditação, concentração, abstracção, rítmica do respiro, abstinência alimentar, oração contínua, vida teúrgica e sacramental, intensificarão os treinamentos de modo que dizemos, para fazer da mente um espelho polido sobre o qual se reflectiram, por obra do Espirito Santo, as imagens que este ultimo reterá oportuno projectar. Passamos em resenha os diversos pontos programáticos:
  • CONSIDERAÇÕES DE FISIOLOGIA E METAFISIOLOGIA DO CORAÇÃO

    T. Palamidessi A ASCESE MÍSTICA E A MEDITAÇAO SOBRE O CORAÇÃO

    O Coração não é uma simples bomba de sangue, regulada pelo sistema nervoso Simpáticoe Parassimpático que produz efeitos opostos sobre a actividade cardíaca (contracção e descontracção): o coração é o centro de gravidade da Alma emotiva, ou seja o que Moisés e a Cabala chamaram Ruah, e São Paulo psykhé.
  • SIGNIFICADO ESCRITURAL DO CORAÇÃO

    T. Palamidessi A ASCESE MÍSTICA E A MEDITAÇAO SOBRE O CORAÇÃO

    Felizes os puros de coração, porque verão a Deus”, disse Jesus no sermão da Montanha(Mateus,5:8).
     
    O coração é o centro da vida corpórea e moral do homem, e por esta razão o Messias promete aos puros de coração a purezada visão espiritual, a única que permite ver Deus não só depois da morte num mundo supra-sensível, mas também aqui na terra no próprio corpo, porque a alma, como já dissemos reside no coração e, quando está livre das trevas do pecado torna-se idónea para receber as mensagem do Altíssimo.
  • A oração continua do coração

    T. Palamidessi A ASCESE MÍSTICA E A MEDITAÇAO SOBRE O CORAÇÃO

    Na agitação, na volubilidade, no aparente abandono por parte de Deus ou do Mestre terreno, aconselhados pelo pessimismo e pelos semeadores de ervas daninhas, podereis interromper a Cardiognose, o conhecimento espiritual do coração, antes de chegar às primeiras consolações.
     
    O bom êxito é o fruto da perfeita atenção que é o arpão da vontade, e a vontade treinada reconhece-se por intermédio duma atenção sem defeitos: atenção focada e dirigida como uma seta lançada pelo archeiro, que alcança o alvo. O bom êxito é a perseverança: “Perseveras na oração” (Actos, I:14); “O Reino dos Céus toma-se com a força” (Mateus,11:12). Toma-se de força, com a força, este é um conceito mais que místico, é uma sugestão Iniciática.
     
    Sendo assim, o exercício deverá ser contínuo, começando com 300 invocações por dia aumentando-as tanto quanto possìvel. No começo seremos nós a fazer a oração, depois será a oração a nascer por si, espontaneamente no coração em todas as ocupações sérias e comuns, acordados e no sono: um sono que será “insónia” espiritual.
     
    Irão facilitar o próprio trabalho usando um comprido terço feito de grãos de madeira colocados numa pequena corda, e que acaba numa cruz que sobressai duma flor de Lótus; terão a possibilidade de desfiar um grão de cada vez, por cada invocação ritmada com a respiração: SENHOR JESUS CRISTO, FILHO DE DEUS, TEM PIEDADE DE MIM PECADOR! Ou poderão escolher esta fórmula: SENHOR JESUS VENHA O TEU REINO! Ou: JESUS FAZ-TE VER.
     
    Podermos usar as duas fórmulas em alternância. O terço é o relógio que não distrai usado entre os Católicos, os Islâmicos, os Ortodoxos e os Tibetanos. Tomemos atenção àquilo que, na linguagem teológica ascética e mística, é definido “discernimento dos espíritos”, porque as insidias da meditação, por obra do inconsciente infestado de imagens armadilhas, são muitas e mortais. A alma emotiva deve dar conta à alma erosdinâmica que deita continuamente como o choco o negro da concupiscência, do erro e dos instintos selvagens. Defender-se não é simples. A mente flutua, mil pensamentos desconexos afluem para impedir a real visão de Deus.
     
    A Filocalia (= ou Amor pela Beleza) dá importantes sugestões sobre a oração do coração dos anacoretas do hesicasmo ortodoxo(Simão o Novo Teólogo, São Gregório do Sinai, São Niceforo o Abstinente). Nós arqueósofos levamos também em conta as meditações do coração usadas pelos Sufis do Islão, prática chamada na linguagem árabe dhikr, segundo a fórmula clássica: la ilah illa Allah = “Não existe Divindade além de Deus”. Simultaneamente não negligenciamos aquela hindu do OM, ou a hebraica AUM segundo o Santo Nome de Deus Secreto, ou seja aquilo que o Grão Sacrificadorpronunciava no dia do Yom Kippur no “Santos dos Santos” em Jerusalém. O método aqui exposto é o que convém para um Cristão exotérico e esotérico que do próprio coração quer fazer o “Graal” e um Tabernáculo do Senhor para receber a Eucaristia. É um método que leva em conta os impedimentos psicossomáticos, e deste modo, é apto para o indivíduo moderno.
  • O successo da Cardiognose

    T. Palamidessi A ASCESE MÍSTICA E A MEDITAÇAO SOBRE O CORAÇÃO

    O successo da Cardiognose sucede bem quando se faz a prática da disciplina respiratória porque o coração, os pulmões, a aorta e o sangue estão ligados e são interdependentes; o bom êxito da cardiognose é ainda maior quando se consegue a faculdade da abstracção, ou seja, o retiro da própria atenção dos sentidos, e obtém-se uma perfeita atenção e concentração da mente num só ponto: o coração, e assim estamos na condição de meditar, ou seja, de nos concentrarmos durante muito tempo sobre o próprio coração. Resumo do que é preciso:
  • COMO SE PRATICA A MEDITAÇÃO NO CORAÇÃO

    T. Palamidessi A ASCESE MÍSTICA E A MEDITAÇAO SOBRE O CORAÇÃO

    Acompanhar com atenção as seguintes instruções e começar hoje mesmo a meditação:
    1.  Escolhem um lugar silenciosoe solitário, um quarto desadornado, vazio, com paredes brancas, nuas para não se distrairem, a não ser uma poltrona confortável munida de costas altas para permitir, eventualmente, apoiar a cabeça. Uma pequena mesa para colocar, em cima dela, qualquer livro de reflexão, papel, lápis para tomar apontamentos. Na falta de tudo isto, é necessário adaptar-se à situação existente. Na estação temperada, é bom fazermos o exercício num jardim e por baixo de uma árvore, melhor se for um carvalho.
    2. ICONOGNÓSIA ARQUEOSÓFICA

      T. Palamidessi DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO DE ARQUEOSOFIA

      ICONOGNÓSIA ARQUEOSÓFICA: voz grega inaugurada da “Arqueosófica” para indicar o conhecimento da imagem com objectivos de elevação espiritual. O ícone encerra símbolos e cenas religiosas pintadas a cores escolhidas segundo as leis das cores e dos seus efeitos sobre a consciência. É isso que na Índia chama-se “Mandala”, ou seja diagrama de meditação, e na Ortodoxia da Igreja do Oriente “iniciação ao ícone”.

    3. A ORAÇÃO PERPÉTUA

      T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

      Apenas obtido o vazio mental, deixará de repetir-se a frase “nada”, como palavra-força para ajudar o treinamento para realizar o vazio mental para cada pensamento profano ou ditado pela imaginação, mas passarão ao grito de invocação, pronunciando sobre a onda do respiro só à inspiração.

    4. O MUNDO SECRETO DA ORAÇÃO CONTÍNUA

      T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

      Orar sempre”, recomenda com insistência S. Paulo (Tess.5,17), porque a oração é a fonte do nosso ser e a forma mais íntima da nossa vida. “Entra na tua câmara, fecha a porta e reza ao Pai que está no lugar secreto” (Mt.6,6). Estas palavras  convidam a entrar em si mesmos para fazer um santuário. O “lugar secreto” é o coração humano. A vida de oração, a sua densidade, a sua profundidade, o seu ritmo constituem a medida da nossa saúde espiritual e nos revelam qual seja.

      Jesus “de manhã levantou-se quando ainda era escuro e, saiu de casa, retirou-se num lugar deserto e lá rezou” (Mc. 1,35). O deserto, para os ascétas, é qualquer coisa de interior, significa concentração, recolhimento, silêncio do espirito. É a este nível, no qual o homem sai finalmente a  calar, que tem lugar a verdadeira oração, e que o homem é misteriosamente visitado. Para entender a voz do Verbo, necessita saber escutar o seu silêncio, aprendê-lo, sobretudo, porque é a “linguagem do século futuro”. O “silêncio do espírito” é superior persino à oração... A experiência dos mestres é categórica: se na nossa vida não somos capazes de fazer um posto ao recolhimento, ao silêncio, não podemos nunca alcançar um grau superior, como por exemplo ir rezar sobre a praças públicas. A oração nos dá conhecimento que uma parte de nós mesmos está imersa no mundo imediato, está constantemente presa às preocupações, e é, por assim dizer, dispersa, e que a outra a observa com  assombro e compaixão. O homem que se agita, faz rebentar de risos os anjos...

      A agua que mata a sede,  estila um silêncio que permite um voltar atras indispensável para entender-se. O recolhimento abre a alma até ao alto, mas também até o outro. S. Serafino pontualiza bem a questão: vida contemplativa ou vida activa? Pergunta  melhor artificiosa, o problema não está aqui, a verdadeira questão olha o coração, a sua dimensão, este imenso desatar do qual fala Orígene, capaz de conter Deus e todos os homens; e neste caso, disse S. Serafino: “conquista a paz interior e uma multidão de homens encontrarão em ti a sua salvação”.

      Estas são as felizes expressões de um profundo místico autor de estimáveis tratados.

      Do sagrado monte das beatitudes, Jesus disse às multidões: “Benditos os pobres em espírito porque deles é o reino dos céus (Mt.5,3); “Benditos os puros de coração porque verão Deus” (Mt.5,8). Mais tarde, escrevendo aos Efésios, S. Paulo rebate: “...deverão renovar-vos no espírito da vossa mente e revestir o homem novo, criado segundo Deus na justiça e na santidade verdadeira”  (Ef.4,20-24).  Estes três ditos confirmam a necessidade de desnudar o espírito, espoliando-os de cada traço de humanidade decaída, de esvaziar-se de tudo aquilo que não é Cristo; é a iluminação do pensamento manchado pelos sentimentos passionais, é  um apresentar-se a Deus na perfeita nudez exterior e interior, porque não é o espírito que peca, mas a alma turbada pelas imagens produzidas pelos venenos do mundo. Só a estas condições torna-se pobres em espírito e com o coração puro. Nada é realizável sem a lavagem preliminar da consciência à qual corresponde a lavagem das acções; nada é conquistável pelo indivíduo se não se põe além de todos os apostos e unifica-se em Cristo para merecer o apelativo do Filho de Deus por participação.

      A condição basilar para que Deus em hábitos em nós é o vazio absoluto de cada conteúdo terreno que a prática da “Vigia perene” prepara e instaura.

      Os sentidos interiores do homem secreto devem espiritualizar-se até  perceber na contemplação o reino de Deus e a sua glória. A transferência da alma no estado sobrenatural é obra gratuita do Eterno, mas a alma  por sua parte por quanto está na lei deve dispor-se ao encontro do Amor com o Deus Uno e Trino. Dispor-se significa esvaziar-se de tudo aquilo que não é Cristo porque a deificação ou theosis não pode ser alcançada e conseguida sem o Salvador. Ninguém chega ao Pai se não por Cristo (Gv.14,6). Este enunciado deve ser tido sempre presente na mente e no coração.

      Os meios que conferem o treinamento interior para prevenir à “Vigia perene” é o exercício ascético do “não pensar” ou o esvaziamento total do coração e da mente de tudo aquilo que não é Deus. 

      Em tal sentido S. Bonaventura é explícito: “É necessário não pensar aqui nada das criaturas, dos anjos, nem do próprio deus, porque  essa sapiência e perfeição não nasce pela meditação subtil, mas do desejo e do afecto da vontade” . Em outras palavras S. Bonaventura ensina  a não pensar a alcunché, nem menos a Deus, porque a criação de formas, imagens e coisas afins é um modo imperfeito de proceder até  à contemplação, por subtis que sejam estas imagens, como os conceitos de bondade, vontade, trindade, unidade, e também da mesma essência divina; imagens, espécies, também se apoiam deiformes, não são nunca Deus que não admite nem forma e imagem alguma. Desta opinião  estiveram sempre seja Clemente de Alessandria, Origene, S. Giovanni da Cruz ou S. Teresa.

      Do místico inglês do XVII sec., o beneditino Baker David Augustine, aprendemos: “ Junto Taulero, Arfio, e outros místicos lemos que  cada um que quer tornar-se espiritual de deve retirar os seus sentidos até o interno e  depois elevar estes sentidos internos à faculdade da alma superior ou intelectual e aí perdê-los e aniquilá-los. Portanto devem estas faculdade da alma superior reunir-se na sua unidade, que é o princípio ou a corrente da qual estas faculdades brotam e se derramam. Só esta unidade está em grau de unir-se perfeitamente com Deus, deve ser regulada para Deus. Eu não tenho nenhuma dúvida que a melhor oração e a melhor contemplação activa seja a completa libertação da alma de todas as coisas corporais”.

      É opinião que as técnicas que conduzem à transcendência sejam aquelas orientais do Zen e do Yoga. Essas conduziriam à iluminação transcendente. Nós duvidamos pela  conclusão de tais métodos, por retendo-os em certos aspectos bons, mas onde falta a fé cristã e o conceito de graça, tais técnicas podem abrir à iluminação natural e nenhum outro. São técnicas boas para esvaziar-nos dos pensamentos, mas não para encher-nos de qualquer coisa de verdadeiramente transcendental e que pode dar a iluminação sobrenatural.

      No reler os escritos de S. Massimo Confessor temos o reconhecimento dos seguintes tipos de iluminação: a natural e a sobrenatural. “E que seja o mundo espiritual de Deus, imenso e resplandecente, composto das contemplações morais (vida activa), naturais (primeiras contemplações) e teológicas (contemplação de Deus)”.

      Ficar intrappolati pelas primeiras contemplações, aquelas naturais, e felicitar-se ilusoriamente destas é a experiência usual do não cristão. A força motriz do ardente desejo de encontrar Deus, deve impulsionar além a experiência da primeira iluminação.

      A vida activa perfeita, a meditação do vazio e a oração contínua do coração coadjuvados pelos Sacramentos fazem partícipes do Mistério do Oitavo dia.

      Quando a “Vigia perene” é conseguida tem-se o deixa passar ao Sacramentum octavi, justas as expressões de S. Agostino, porque só então será possível ver a glória de Deus nas “Divinas energias incriadas”.

      A constância do treinamento interior conduz à saída tornando-se um daqueles ao qual o Apocalipse segundo Giovanni anuncia: “O vencedor será portanto vestido de branco vestes e não cancelarei o seu nome do livro da vida, mas o reconhecerei diante ao meu Pai e diante aos seus anjos” .

       

    5. A MEDITAÇÃO SOBRE A ESFERA SEXUAL E A ASCESE

      TOMMASO PALAMIDESSI

      A MEDITAÇÃO SOBRE A ESFERA SEXUAL E A ASCESE

      Décimo segundo caderno

    6. A TRANSMUTAÇÃO DO CORAÇÃO NOS SANTOS DA IGREJA

      TOMMASO PALAMIDESSI

      A TRANSMUTAÇÃO DO CORAÇÃO NOS SANTOS DA IGREJA

      Caderno 49º

    7. QUANDO E PORQUÊ SE MANIFESTAM OS SANTOS

      Tommaso Palamidessi A TRANSMUTAÇÃO DO CORAÇÃO NOS SANTOS DA IGREJA

      É Sabido que os santos da Igrejase manifestam ao horizonte da vida social e espiritual do mundo todas as vezes que as estruturas morais e religiosas  rangem e ameaçam andar em ruína. Pois bem, foi num destes momentos históricos difíceis que se fizeram em frente com a palavra e o exemplo a Santa de Pratoi Caterina de Ricci e a outra não menos famosa, Caterina de Siena, e antes delas nos séculos 13º, 14º, e 15º, S. Domenico de Gusmanno Velho Castelo, fundador do Ordem que leva o seu nome, cujo nascimento recorre o oitavo centenário; S. Vicenzo Ferreri, predicador, taumaturgo e unificador da Igreja; o Martir Girolamo Savonarola inspirador do “estado popular”, renovador do “Sacerdócio dos Fieis”, exortador ao “rigorismo ascético”.

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