sono

  • O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    TOMMASO PALAMIDESSI

    O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    Trigésimo oitavo Caderno

  • DEFINIÇÕES DA “VIGIA PERENE”

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    Quem não dorme está desperto, mas se resiste voluntariamente ao sono, então diz-se que vigia. A “Vigia perene” è um estado extraordinário espiritual e ao mesmo tempo sobrenatural, consistente na junção da vigia interior com tudo aquilo que de externo e imortal está em nós por obra do Filho de Deus, o Senhor Jesus Cristo, em vista da permanente união transformante de Amor com a Trindade Santa

  • DA VIGIA NORMAL AO SONO E AO SONHO

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    Fixamos alguns conceitos sobre a natureza do sono e do sonho, porque se trata de condições psicossomáticas decisivas para a vida interior erótica, anímica e espiritual.

    Durante as horas de vigia, a actividade do corpo emocional (instrumento da alma) e do corpo mental, usa de contínuo o organismo, o seu tecido fica exaurido pelo trabalho do pensamento e do fisiológico; o corpo etérico esforça-se fielmente para restabelecer a harmonia entre as energias dos corpos subtis. O físico reconstitui aquilo que os outros veículos vão demolindo. 

  • SONHOS HUMANOS E SONHOS TRANSMITIDOS DE DEUS

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    O caminho da perfeição è pleno de insídias, de armadilhas para mais de proveniência onírica, mas existem sonhos de vária origem; alguns nascem do homem e da humanidade, outras de Deus, outros ainda provêm da potência do Mal, sempre vigilante e disponível contra o aspirante ao Bem. A Bíblia narra:

  • A LUTA DOS SANTOS E DOS ESTILITAS CONTRA O SONO

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    A resistência voluntária ao repouso e a abolição do sono conduzem ao esgotamento nervoso e frequentemente à morte. A insónia forçada dos prisioneiros è a tortura mais atroz, da qual se envolvem com cada meio os inquisidores inumanos; Na verdade os santos e os anacoretas recorrem à luta contra o sono para manterem-se firmes na oração, sem perder a santidade mental e sem morrerem.

  • POSTURA DO CORPO E DO ESPÍRITO NA ORAÇÃO

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    O homem reza com o espírito, mas geralmente também o corpo participa de qualquer modo à elevação da alma até Deus,  no ímpeto de fé e amor tal é a oração. O gesto, o olhar, a postura do corpo reflectem sentimentos íntimos. A iconografia religiosa oferece um quadro exacto da atitude corporalpara orar do místico.

  • ATITUDE INTERIOR DO VIGILANTE

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    Qual deva ser a atitude interior de quem quer prevenir à vigia perene, o temos já explicado, mas um resumo não é demais, quando brota de personagens qualificadas. S. Serafino de Sarov, a exemplo disse: “O homem é composto de alma e de corpo, por consequência a caminho da sua vida deve consistir em actividade do corpo e da alma, em acção e em contemplação.

  • AINDA DAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A MEDITAÇÃO

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    As elucidações não são nunca suficientes, especialmente no tema da meditação. Um entendido teólogo escreveu: “ a aplicação arrazoada da mente para uma verdade sobrenatural para ter uma convicção sempre mais profunda e portanto amá-la e praticá-la com a ajuda da graça”: esta é a meditação, definida também “oração de segundo grau”. 

  • A VIGIA PERENE É O FRUTO DA GRAÇA E DA ASCESE

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    Aqueles que têm  a certeza de querer sair do sono espiritual no qual se encontram seja em vigília, seja dormindo, estão já os Cadernos de Arqueosofia distribuídos até hoje, aquilo que devem fazer para alcançar a Vigia Perene, todavia aqui encontramos outras instruções preciosas para libertar-se da “deformação espiritual” como diria aquele grande santo russo que é Pavel Florenskij, decidido pela fé cristã no lager do extremo Norte a 15 de dezembro de 1943 há 61 anos.

  • ILUMINAÇÃO ORIENTAL E VIGIA PERENE CRISTÃ

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    Já temos assinalado ao objectivo da “vigia perene” que é obter a Iluminação permanente, e a Iluminação está na sua  essência  uma experiência interior, um compreender o  transcendente segundo a máxima perfeição humana. Temos na verdade feito entender que a verdadeira Iluminaçãoe a “Vigia perene” são uma conquista da alma cristã, mas não poucas pessoas buscam em vão esta Iluminação no Oriente, fora do Cristianismo, rejeitando sem  sequer conhecê-lo nem em superfície, nem em profundidade. Preferem os sistemas do Zene do Yogae de uma assim dita Meditação Transcendental, sem sequer suspeitar de ir acabar numa  espécie de Iluminaçãolimitada à esfera natural, bem separada, bastante afastada da Iluminação sobrenatural. Eles perseguem em boa fé os métodos óptimos, mas por um certo caminho ascético, não por certo místico e nem ao menos iniciático.

  • O ESTADO ONÍRICO OS SONHOS TERRENOS E OS SONHOS DO ALÉM

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    O sonho é o estado da consciência durante o sono, um imaginar e pensar dormindo; é um pensar inconsciente. Junto nos sonhos desenvolve-se um conflito de base entre os desejos e as repressões do sonhador: a luta que se desenvolve entre as cobiças instintivas do inconsciente e a censura moral. O sonho é também dado do inconsciente motivações dos distúrbios psicossomáticos.

    Sonhar é sempre uma via para uma diagnose. A moderna psiquiatria tem aprendido a descobrir dos sonhos os conflitos emocionais, responsáveis pelas más acções, dos maus pensamentos e da doença nervosa e mental. Os sonhos revelam a quem aprende a introspecção total e ao director espiritual, ao médico da alma, os nossos secretos desejos, os nossos medos, os nossos ódios, os nossos amores. Sonhando vem à galha o nosso verdadeiro eu. No sono manifestamos um despegado dualismo: o Anjo da Guarda bom e o Anjo da guarda mau que estão dentro de nós. O corpo dorme, mas a mente é desperta no sonho, e a imaginação se desenfreia livremente. O nosso íntimo eu quando sonhamos é livre e faz-nos satisfazer as tentações que reprimimos quando estamos acordados. O espelho da vida emocional do sonhadoré o sonho, e deste espelho  serve-se a lei do “contrapasso” depois da morte. Os nossos sonhos são diversos segundo a constituição e personalidade. Nos sonhos descobrimos a qualidade da nossas emoções, e isso é muito importante.

  • O TECIDO DO ESTADO “POST MORTEM” É FEITO DE SONHOS E DE REALIDADE

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    Insistirei um pouco sobre este argumento, porque que o drama da morte está intimamente associado ao simbolismo terrífico, aprazível e talvez  caiado dos sonhos. O despertar no além é acompanhado por sonhos com raras percepções de cenas verdadeiras, porque o indivíduo não tem ainda os cinco sentidos espirituais activos. Sonhará e lhe lembrará uma recordação de tudo quanto fez na sua vida, detendo-se sobre aquilo que devia ou não devia fazer ou não fez, sobre quanto podia fazer e não quis fazer. Deste ver sonhando, começará o trabalho da consciência. Depois remetendo-se nas regiões crepusculares deste novo mundo dos defuntos, sonhará ainda tais episódios que serão como o acto de acusa, mas verá verdadeiramente as pessoas que ofendeu, arruinou, matou, mas não saberá discernir pessoas verdadeiras da pessoa-sonho, porque não aprendeu quando estava vivo a libertar-se da ilusão e do jogo simbólico onírico.

  • É POSSÍVEL DESPERTAR DO ESTADO DE SONHO NO APÓS MORTE? O SONHAR EM VIDA E NO ESTADO INTERMÉDIO É DE TODOS

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    É impossível dormir sem sonhare é impossível que existam pessoas que não sonham, por uma lei da natureza que implica todos. Alguns recordam vagamente, outros não recordam alguns destes sonhos, outros ainda recordam-nos muito bem.

  • SIGNIFICADO DOS SONHOS PARA O DEFUNTO

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    A vantagem de recordar as imagens tidas em sonho é uma via para apreciar os factores inconsciente responsáveis do próprio estado. É a lavagem da consciência,  a procura dos fios condutores para extirpar os vícios e substituí-los com as virtudes cristãs.

    SIGNIFICADO DOS SONHOS PARA O DEFUNTO

    A alma que busca conhecer  si mesmo através do conteúdo dos seus sonhos, e é capaz de entender de sonhar, consegue uma força. Deve entrar sem medo neste seu mundo para desmontar peça por peça a constituição hábil da sua consciência de sonho. Se isso sai a fazê-lo desde aqui. Depois terá uma posição emancipada.

    Assinalarei só alguns destes símbolos, porque, como sabemos o jogo interior é feito de cores e de símbolos.

    O defunto pode sonhar as cenas nas quais encontra os seguintes símbolos:

    •  Funerais, trevas, sonha de ser queimado vivo: é traspassado  pervaso pelo  medo de morrer.
    •  Viagens: desejos de sair da realidade.
    •  Se é indeciso: falta de confiança na ajuda divina e tem medo da sua chegada.
    •  Sonha a morte de amigos ou parentes: nutre ainda os desejos de morte até aquela pessoa.
    •  Se vê nu ou semi nu entre os outros: tem desejo de libertar as suas inibições morais.
    •  Se o defunto era ancião, e sonha uma banca rota ou uma falência, é claro indício que o seu pensamento dominante era a impotência sexual.
    •  Queimar-se no fogo: paixão associada ao medo de cair na tentação.
    •  Se lhe parece cair. Tem medo de ceder ou de ter cedido a qualquer coisa proibida pela consciência e desaprovada pela sociedade.
    •  Falar a um parente defunto (se este é um sonho e não a verdadeira presença desse) então existe um desejo de negar a realidade da sua morte ou significa o desejo de alcançá-lo.
    •  Ser derrubados. Deixou o mundo físico com a preocupação de insegurança financeira, com a fatal agarramento às coisas; é índice de avareza.
    •  As almas das mulheres que sonham ser assaltadaspor animais ferozes, revelam um conteúdo inconsciente de medo pela violência sexual,  da sedução.
    •  Morrer de doença ou ser morto num acidente, é sentido de culpa, desejos suicidas camuflados, necessidade de punição.
    •  Sonhar ter uma amizade íntima com personagens ilustres, é um sentido de inferioridade social.
    •  O morto que sonha de voltar a ser criança (por ter falecido velho), é o desejo de ser jovem novamente e o medo mimetizado pela velhice e pela morte próxima.
    •  Roubar, assaltar alguém, violar as leis, é a continuação também depois do traspasso de tendência criminal reprimida.
    •  Fazer mala uma pessoa cara é um gesto de amor-ódio até àquela pessoa.
    •  Quando um defunto sonha der ameaçado ou de encontrar-se em situações perigosas, é um claro índice de medo de uma desventura próxima, é o sonho do pávido.
    •  Alegria, recreios, festas: desejo de fugir a um ambiente não feliz, infelicidade reprimida.
    •  Enlouquecer: medo de cometer ou de ter substituído qualquer coisa da qual não se seja mentalmente responsável.
    •  Actividades sexuaisde vários géneros: desejo sexual, repressões eróticas.
    •  A alma que sonha lutar para libertar-se ou de ser aprisionada, tem um conflito, no sentido do medo de ser  vencido pela desesperação dos próprios insucessos.
    •   Os vermes é o ter provocado os danos e a medo de perder qualquer coisa de material.
    •  Sonhar escaravelhosé um estado patológico grave da esfera cerebral, é a acusação de ter dissipado o próprio tempo semeando miséria.
    •  Morcego: abandono, desolação, cegueira moral, o ser-se destruído o corpo e a mente com uma doença da qual se é responsável.
    •  Porco: moralidade baixa, vulgar, ociosa, inclinação aos baixos instintos sexuais.
    •   Mosca: natureza colérica.
    •  Pavão: orgulho, desconfiança.

    Os símbolos podem ser tantos quantos são os vícios e as virtudes do homem. Aqui não é possível tratá-los todos.

     

  • O MISTÉRIO DO OITOVO DIA COROAÇÃO DA VIGIA PERENE

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    O sagrado é a torrente impetuosa e revolvente das aguas divinas meste mundo absolutamente diverso. Pela sua natureza neste mundo nada é jamais sagrado e santo, mas torna-o só por participação. O acto divino tira uma coisa ou um indivíduo do seu mundo empírico, natural, e o coloca em comunhão com as forças transcendentes e santificantes.

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