Vigia perene

  • O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    TOMMASO PALAMIDESSI

    O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    Trigésimo oitavo Caderno

  • DEFINIÇÕES DA “VIGIA PERENE”

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    Quem não dorme está desperto, mas se resiste voluntariamente ao sono, então diz-se que vigia. A “Vigia perene” è um estado extraordinário espiritual e ao mesmo tempo sobrenatural, consistente na junção da vigia interior com tudo aquilo que de externo e imortal está em nós por obra do Filho de Deus, o Senhor Jesus Cristo, em vista da permanente união transformante de Amor com a Trindade Santa

  • DA VIGIA NORMAL AO SONO E AO SONHO

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    Fixamos alguns conceitos sobre a natureza do sono e do sonho, porque se trata de condições psicossomáticas decisivas para a vida interior erótica, anímica e espiritual.

    Durante as horas de vigia, a actividade do corpo emocional (instrumento da alma) e do corpo mental, usa de contínuo o organismo, o seu tecido fica exaurido pelo trabalho do pensamento e do fisiológico; o corpo etérico esforça-se fielmente para restabelecer a harmonia entre as energias dos corpos subtis. O físico reconstitui aquilo que os outros veículos vão demolindo. 

  • SONHOS HUMANOS E SONHOS TRANSMITIDOS DE DEUS

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    O caminho da perfeição è pleno de insídias, de armadilhas para mais de proveniência onírica, mas existem sonhos de vária origem; alguns nascem do homem e da humanidade, outras de Deus, outros ainda provêm da potência do Mal, sempre vigilante e disponível contra o aspirante ao Bem. A Bíblia narra:

  • A LUTA DOS SANTOS E DOS ESTILITAS CONTRA O SONO

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    A resistência voluntária ao repouso e a abolição do sono conduzem ao esgotamento nervoso e frequentemente à morte. A insónia forçada dos prisioneiros è a tortura mais atroz, da qual se envolvem com cada meio os inquisidores inumanos; Na verdade os santos e os anacoretas recorrem à luta contra o sono para manterem-se firmes na oração, sem perder a santidade mental e sem morrerem.

  • POSTURA DO CORPO E DO ESPÍRITO NA ORAÇÃO

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    O homem reza com o espírito, mas geralmente também o corpo participa de qualquer modo à elevação da alma até Deus,  no ímpeto de fé e amor tal é a oração. O gesto, o olhar, a postura do corpo reflectem sentimentos íntimos. A iconografia religiosa oferece um quadro exacto da atitude corporalpara orar do místico.

  • ATITUDE INTERIOR DO VIGILANTE

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    Qual deva ser a atitude interior de quem quer prevenir à vigia perene, o temos já explicado, mas um resumo não é demais, quando brota de personagens qualificadas. S. Serafino de Sarov, a exemplo disse: “O homem é composto de alma e de corpo, por consequência a caminho da sua vida deve consistir em actividade do corpo e da alma, em acção e em contemplação.

  • AINDA DAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A MEDITAÇÃO

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    As elucidações não são nunca suficientes, especialmente no tema da meditação. Um entendido teólogo escreveu: “ a aplicação arrazoada da mente para uma verdade sobrenatural para ter uma convicção sempre mais profunda e portanto amá-la e praticá-la com a ajuda da graça”: esta é a meditação, definida também “oração de segundo grau”. 

  • Exemplos de Meditação: Meditação por imagem

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    Suponhamos querer meditar sobre o Senhor Jesus Cristo. Ao início tereis um quadro ou ícone a cores do Messias, em pé,  colocado na parede defronte a uma distância normal para a vista. Observar com fixação esta imagem, concentrando-vos sobre ela sem distrair-vos e sem piscar os olhos, que podem também lacrimejar. Esquecer tudo aquilo que circunda, passar de maneira visível e com a mente toda a figura, começando pelos pés sempre para cima, até chegar ao rosto e aos cabelos. Continuar assim por um quarto de hora por dia durante três meses. 

  • PRÁTICA DA MEDITAÇÃO SEM OBJECTO

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    Como explicado para a meditação com esteio, sentar-vos relaxados e cómodos, espinha dorsalbem direita, olhos semi abertos em ambiente debilmente iluminado, imóveis, fazendo o completo vazio mental e permanecendo assim. Não é fácil, mas com a insistência e a paciência chega-se a tudo. Se o estado de vazio mental chega súbito, não há que fiar-se.

    Naturalmente a respiração rítmica ajuda muito. Iniciar com cinco respirações em base aos tempos: aspirar o ar pelo nariz durante um segundo; retê-lo nos pulmões por 4 segundos; expirar o ar por 2 segundos; por fim manter os pulmões firmes por 4 segundos. Após cinco controlos do respiro, respirar normalmente e profundamente.

    Fecharão os olhos, portanto fazer descender a vossa inteligência da cabeça (Centro frontal) para baixo no coração (Centro cardíaco), mantendo-a neste último. Farão assim: inspirar com leveza para não desperdiçar o pensamento, e chamar o Senhor mentalmente, enquanto inspirar o ar e constringirão volitivamente a inteligência a descer no coração para pregá-lo com  a formula: Meu Jesus. Poderão também usar uma outra expressão, conquanto que esteja sempre o nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Reterão o respiro completando a chamada. De seguida expelirão o ar dos pulmões, expirando docemente. Depois de novo concentrar a vontade atenta na fronte e dirigirão a descida forçada no coração, repetindo a mesma invocação, uma vez que a tenhais estabelecida.

    O prosseguimento desta atitude interior traduzir-se-á bem presto na impressão de subir, de voar, de sentir-se corporalmente ligeiríssimos. Esta experiência ascencional durante a oração a provaram Bernardino de Laredo(Subida del monte Sion), Luis de Granada. Este último disse: “A oração é, para a alma, subir acima dela mesma e sobre tudo o criado, unir-se a Deus e afundar-se neste oceano de suavidade infinita e de amor”. A mesma coisa dizem S. Teresa de Ávila, S. Damascenoe S. João da Cruz, referindo-se a subir acima de nós mesmos e de tudo, até à união com Deus.

    É difícil exprimirmo-nos em palavras, porque nós queremos indicar  para repetir a nossa experimentação e ir sempre mais acima. Meditar, rezar, invocar o Altíssimo e ao mesmo tempo não pensar em nada é verdadeiramente um pensar de Deuses, e não de homens e mulheres desta baixa existência.

    Sentirão ser conduzidos verticalmente no alto como chama ardente atraída por uma misteriosa tiragem, aquela da graça divina.

    Mantenham-se interiormente despertos: atenção às insídias do sono, que pode interromper o preparo da oração contemplativa.

    Se um irmão espiritual médico observasse o asceta neste trabalho,  seria surpreendido ao constatar a queda de pulso também para 30 pulsações por minuto, improvisas paragens de respiro e diversas anomalias fisiológicas, ainda que culminantes na levitação e outros fenómenos espectaculares.

     
  • Os Sonhos Lúcidos: A Arte De Compreender A Natureza Do Sonho, Visualizá-Lo E Mudá-Lo

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    Quem entende compreender a natureza do estado de sonho, deve exercitar-se para manter a continuidade de consciência enquanto sonha; deve fazer mudar um sonho ordinário num sonho lúcido, para dissociá-lo e recompô-lo à vontade. A insídia devida à ilusão dos sonhose à secreta causalidade, deve ser combatida e vencida saindo a manter ininterrupta a memória na passagem da vigia ao sonho. As alavancas de comando para chegar a tanto encontram-se no poder da mente, na arte de meditare de rezar.

  • A VIGIA PERENE É O FRUTO DA GRAÇA E DA ASCESE

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    Aqueles que têm  a certeza de querer sair do sono espiritual no qual se encontram seja em vigília, seja dormindo, estão já os Cadernos de Arqueosofia distribuídos até hoje, aquilo que devem fazer para alcançar a Vigia Perene, todavia aqui encontramos outras instruções preciosas para libertar-se da “deformação espiritual” como diria aquele grande santo russo que é Pavel Florenskij, decidido pela fé cristã no lager do extremo Norte a 15 de dezembro de 1943 há 61 anos.

  • ILUMINAÇÃO ORIENTAL E VIGIA PERENE CRISTÃ

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    Já temos assinalado ao objectivo da “vigia perene” que é obter a Iluminação permanente, e a Iluminação está na sua  essência  uma experiência interior, um compreender o  transcendente segundo a máxima perfeição humana. Temos na verdade feito entender que a verdadeira Iluminaçãoe a “Vigia perene” são uma conquista da alma cristã, mas não poucas pessoas buscam em vão esta Iluminação no Oriente, fora do Cristianismo, rejeitando sem  sequer conhecê-lo nem em superfície, nem em profundidade. Preferem os sistemas do Zene do Yogae de uma assim dita Meditação Transcendental, sem sequer suspeitar de ir acabar numa  espécie de Iluminaçãolimitada à esfera natural, bem separada, bastante afastada da Iluminação sobrenatural. Eles perseguem em boa fé os métodos óptimos, mas por um certo caminho ascético, não por certo místico e nem ao menos iniciático.

  • O ESTADO ONÍRICO OS SONHOS TERRENOS E OS SONHOS DO ALÉM

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    O sonho é o estado da consciência durante o sono, um imaginar e pensar dormindo; é um pensar inconsciente. Junto nos sonhos desenvolve-se um conflito de base entre os desejos e as repressões do sonhador: a luta que se desenvolve entre as cobiças instintivas do inconsciente e a censura moral. O sonho é também dado do inconsciente motivações dos distúrbios psicossomáticos.

    Sonhar é sempre uma via para uma diagnose. A moderna psiquiatria tem aprendido a descobrir dos sonhos os conflitos emocionais, responsáveis pelas más acções, dos maus pensamentos e da doença nervosa e mental. Os sonhos revelam a quem aprende a introspecção total e ao director espiritual, ao médico da alma, os nossos secretos desejos, os nossos medos, os nossos ódios, os nossos amores. Sonhando vem à galha o nosso verdadeiro eu. No sono manifestamos um despegado dualismo: o Anjo da Guarda bom e o Anjo da guarda mau que estão dentro de nós. O corpo dorme, mas a mente é desperta no sonho, e a imaginação se desenfreia livremente. O nosso íntimo eu quando sonhamos é livre e faz-nos satisfazer as tentações que reprimimos quando estamos acordados. O espelho da vida emocional do sonhadoré o sonho, e deste espelho  serve-se a lei do “contrapasso” depois da morte. Os nossos sonhos são diversos segundo a constituição e personalidade. Nos sonhos descobrimos a qualidade da nossas emoções, e isso é muito importante.

  • O TECIDO DO ESTADO “POST MORTEM” É FEITO DE SONHOS E DE REALIDADE

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    Insistirei um pouco sobre este argumento, porque que o drama da morte está intimamente associado ao simbolismo terrífico, aprazível e talvez  caiado dos sonhos. O despertar no além é acompanhado por sonhos com raras percepções de cenas verdadeiras, porque o indivíduo não tem ainda os cinco sentidos espirituais activos. Sonhará e lhe lembrará uma recordação de tudo quanto fez na sua vida, detendo-se sobre aquilo que devia ou não devia fazer ou não fez, sobre quanto podia fazer e não quis fazer. Deste ver sonhando, começará o trabalho da consciência. Depois remetendo-se nas regiões crepusculares deste novo mundo dos defuntos, sonhará ainda tais episódios que serão como o acto de acusa, mas verá verdadeiramente as pessoas que ofendeu, arruinou, matou, mas não saberá discernir pessoas verdadeiras da pessoa-sonho, porque não aprendeu quando estava vivo a libertar-se da ilusão e do jogo simbólico onírico.

  • É POSSÍVEL DESPERTAR DO ESTADO DE SONHO NO APÓS MORTE? O SONHAR EM VIDA E NO ESTADO INTERMÉDIO É DE TODOS

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    É impossível dormir sem sonhare é impossível que existam pessoas que não sonham, por uma lei da natureza que implica todos. Alguns recordam vagamente, outros não recordam alguns destes sonhos, outros ainda recordam-nos muito bem.

  • SIGNIFICADO DOS SONHOS PARA O DEFUNTO

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    A vantagem de recordar as imagens tidas em sonho é uma via para apreciar os factores inconsciente responsáveis do próprio estado. É a lavagem da consciência,  a procura dos fios condutores para extirpar os vícios e substituí-los com as virtudes cristãs.

    SIGNIFICADO DOS SONHOS PARA O DEFUNTO

    A alma que busca conhecer  si mesmo através do conteúdo dos seus sonhos, e é capaz de entender de sonhar, consegue uma força. Deve entrar sem medo neste seu mundo para desmontar peça por peça a constituição hábil da sua consciência de sonho. Se isso sai a fazê-lo desde aqui. Depois terá uma posição emancipada.

    Assinalarei só alguns destes símbolos, porque, como sabemos o jogo interior é feito de cores e de símbolos.

    O defunto pode sonhar as cenas nas quais encontra os seguintes símbolos:

    •  Funerais, trevas, sonha de ser queimado vivo: é traspassado  pervaso pelo  medo de morrer.
    •  Viagens: desejos de sair da realidade.
    •  Se é indeciso: falta de confiança na ajuda divina e tem medo da sua chegada.
    •  Sonha a morte de amigos ou parentes: nutre ainda os desejos de morte até aquela pessoa.
    •  Se vê nu ou semi nu entre os outros: tem desejo de libertar as suas inibições morais.
    •  Se o defunto era ancião, e sonha uma banca rota ou uma falência, é claro indício que o seu pensamento dominante era a impotência sexual.
    •  Queimar-se no fogo: paixão associada ao medo de cair na tentação.
    •  Se lhe parece cair. Tem medo de ceder ou de ter cedido a qualquer coisa proibida pela consciência e desaprovada pela sociedade.
    •  Falar a um parente defunto (se este é um sonho e não a verdadeira presença desse) então existe um desejo de negar a realidade da sua morte ou significa o desejo de alcançá-lo.
    •  Ser derrubados. Deixou o mundo físico com a preocupação de insegurança financeira, com a fatal agarramento às coisas; é índice de avareza.
    •  As almas das mulheres que sonham ser assaltadaspor animais ferozes, revelam um conteúdo inconsciente de medo pela violência sexual,  da sedução.
    •  Morrer de doença ou ser morto num acidente, é sentido de culpa, desejos suicidas camuflados, necessidade de punição.
    •  Sonhar ter uma amizade íntima com personagens ilustres, é um sentido de inferioridade social.
    •  O morto que sonha de voltar a ser criança (por ter falecido velho), é o desejo de ser jovem novamente e o medo mimetizado pela velhice e pela morte próxima.
    •  Roubar, assaltar alguém, violar as leis, é a continuação também depois do traspasso de tendência criminal reprimida.
    •  Fazer mala uma pessoa cara é um gesto de amor-ódio até àquela pessoa.
    •  Quando um defunto sonha der ameaçado ou de encontrar-se em situações perigosas, é um claro índice de medo de uma desventura próxima, é o sonho do pávido.
    •  Alegria, recreios, festas: desejo de fugir a um ambiente não feliz, infelicidade reprimida.
    •  Enlouquecer: medo de cometer ou de ter substituído qualquer coisa da qual não se seja mentalmente responsável.
    •  Actividades sexuaisde vários géneros: desejo sexual, repressões eróticas.
    •  A alma que sonha lutar para libertar-se ou de ser aprisionada, tem um conflito, no sentido do medo de ser  vencido pela desesperação dos próprios insucessos.
    •   Os vermes é o ter provocado os danos e a medo de perder qualquer coisa de material.
    •  Sonhar escaravelhosé um estado patológico grave da esfera cerebral, é a acusação de ter dissipado o próprio tempo semeando miséria.
    •  Morcego: abandono, desolação, cegueira moral, o ser-se destruído o corpo e a mente com uma doença da qual se é responsável.
    •  Porco: moralidade baixa, vulgar, ociosa, inclinação aos baixos instintos sexuais.
    •   Mosca: natureza colérica.
    •  Pavão: orgulho, desconfiança.

    Os símbolos podem ser tantos quantos são os vícios e as virtudes do homem. Aqui não é possível tratá-los todos.

     

  • TRÊS CONDIÇÕES INDISPENSÁVEIS PARA CONTEMPLAR DEUS NA SUA LUZ

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    As condições a fim de que o espírito possa contemplar Deus em Deus mesmo, na sua luz divina, sem intermediário, são três.

    A primeira condição consiste no estar exteriormente em perfeita ordem e  separado de todas as obras exteriores, como uma coluna imóvel; é a nudez perfeita. A contemplação não é possível se um é interiormente obsidiado por qualquer acto de virtude que se imprime como imagem no espírito, e quando acaba fica-se paralisados.

  • A ORAÇÃO PERPÉTUA

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    Apenas obtido o vazio mental, deixará de repetir-se a frase “nada”, como palavra-força para ajudar o treinamento para realizar o vazio mental para cada pensamento profano ou ditado pela imaginação, mas passarão ao grito de invocação, pronunciando sobre a onda do respiro só à inspiração.

  • O MUNDO SECRETO DA ORAÇÃO CONTÍNUA

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    Orar sempre”, recomenda com insistência S. Paulo (Tess.5,17), porque a oração é a fonte do nosso ser e a forma mais íntima da nossa vida. “Entra na tua câmara, fecha a porta e reza ao Pai que está no lugar secreto” (Mt.6,6). Estas palavras  convidam a entrar em si mesmos para fazer um santuário. O “lugar secreto” é o coração humano. A vida de oração, a sua densidade, a sua profundidade, o seu ritmo constituem a medida da nossa saúde espiritual e nos revelam qual seja.

    Jesus “de manhã levantou-se quando ainda era escuro e, saiu de casa, retirou-se num lugar deserto e lá rezou” (Mc. 1,35). O deserto, para os ascétas, é qualquer coisa de interior, significa concentração, recolhimento, silêncio do espirito. É a este nível, no qual o homem sai finalmente a  calar, que tem lugar a verdadeira oração, e que o homem é misteriosamente visitado. Para entender a voz do Verbo, necessita saber escutar o seu silêncio, aprendê-lo, sobretudo, porque é a “linguagem do século futuro”. O “silêncio do espírito” é superior persino à oração... A experiência dos mestres é categórica: se na nossa vida não somos capazes de fazer um posto ao recolhimento, ao silêncio, não podemos nunca alcançar um grau superior, como por exemplo ir rezar sobre a praças públicas. A oração nos dá conhecimento que uma parte de nós mesmos está imersa no mundo imediato, está constantemente presa às preocupações, e é, por assim dizer, dispersa, e que a outra a observa com  assombro e compaixão. O homem que se agita, faz rebentar de risos os anjos...

    A agua que mata a sede,  estila um silêncio que permite um voltar atras indispensável para entender-se. O recolhimento abre a alma até ao alto, mas também até o outro. S. Serafino pontualiza bem a questão: vida contemplativa ou vida activa? Pergunta  melhor artificiosa, o problema não está aqui, a verdadeira questão olha o coração, a sua dimensão, este imenso desatar do qual fala Orígene, capaz de conter Deus e todos os homens; e neste caso, disse S. Serafino: “conquista a paz interior e uma multidão de homens encontrarão em ti a sua salvação”.

    Estas são as felizes expressões de um profundo místico autor de estimáveis tratados.

    Do sagrado monte das beatitudes, Jesus disse às multidões: “Benditos os pobres em espírito porque deles é o reino dos céus (Mt.5,3); “Benditos os puros de coração porque verão Deus” (Mt.5,8). Mais tarde, escrevendo aos Efésios, S. Paulo rebate: “...deverão renovar-vos no espírito da vossa mente e revestir o homem novo, criado segundo Deus na justiça e na santidade verdadeira”  (Ef.4,20-24).  Estes três ditos confirmam a necessidade de desnudar o espírito, espoliando-os de cada traço de humanidade decaída, de esvaziar-se de tudo aquilo que não é Cristo; é a iluminação do pensamento manchado pelos sentimentos passionais, é  um apresentar-se a Deus na perfeita nudez exterior e interior, porque não é o espírito que peca, mas a alma turbada pelas imagens produzidas pelos venenos do mundo. Só a estas condições torna-se pobres em espírito e com o coração puro. Nada é realizável sem a lavagem preliminar da consciência à qual corresponde a lavagem das acções; nada é conquistável pelo indivíduo se não se põe além de todos os apostos e unifica-se em Cristo para merecer o apelativo do Filho de Deus por participação.

    A condição basilar para que Deus em hábitos em nós é o vazio absoluto de cada conteúdo terreno que a prática da “Vigia perene” prepara e instaura.

    Os sentidos interiores do homem secreto devem espiritualizar-se até  perceber na contemplação o reino de Deus e a sua glória. A transferência da alma no estado sobrenatural é obra gratuita do Eterno, mas a alma  por sua parte por quanto está na lei deve dispor-se ao encontro do Amor com o Deus Uno e Trino. Dispor-se significa esvaziar-se de tudo aquilo que não é Cristo porque a deificação ou theosis não pode ser alcançada e conseguida sem o Salvador. Ninguém chega ao Pai se não por Cristo (Gv.14,6). Este enunciado deve ser tido sempre presente na mente e no coração.

    Os meios que conferem o treinamento interior para prevenir à “Vigia perene” é o exercício ascético do “não pensar” ou o esvaziamento total do coração e da mente de tudo aquilo que não é Deus. 

    Em tal sentido S. Bonaventura é explícito: “É necessário não pensar aqui nada das criaturas, dos anjos, nem do próprio deus, porque  essa sapiência e perfeição não nasce pela meditação subtil, mas do desejo e do afecto da vontade” . Em outras palavras S. Bonaventura ensina  a não pensar a alcunché, nem menos a Deus, porque a criação de formas, imagens e coisas afins é um modo imperfeito de proceder até  à contemplação, por subtis que sejam estas imagens, como os conceitos de bondade, vontade, trindade, unidade, e também da mesma essência divina; imagens, espécies, também se apoiam deiformes, não são nunca Deus que não admite nem forma e imagem alguma. Desta opinião  estiveram sempre seja Clemente de Alessandria, Origene, S. Giovanni da Cruz ou S. Teresa.

    Do místico inglês do XVII sec., o beneditino Baker David Augustine, aprendemos: “ Junto Taulero, Arfio, e outros místicos lemos que  cada um que quer tornar-se espiritual de deve retirar os seus sentidos até o interno e  depois elevar estes sentidos internos à faculdade da alma superior ou intelectual e aí perdê-los e aniquilá-los. Portanto devem estas faculdade da alma superior reunir-se na sua unidade, que é o princípio ou a corrente da qual estas faculdades brotam e se derramam. Só esta unidade está em grau de unir-se perfeitamente com Deus, deve ser regulada para Deus. Eu não tenho nenhuma dúvida que a melhor oração e a melhor contemplação activa seja a completa libertação da alma de todas as coisas corporais”.

    É opinião que as técnicas que conduzem à transcendência sejam aquelas orientais do Zen e do Yoga. Essas conduziriam à iluminação transcendente. Nós duvidamos pela  conclusão de tais métodos, por retendo-os em certos aspectos bons, mas onde falta a fé cristã e o conceito de graça, tais técnicas podem abrir à iluminação natural e nenhum outro. São técnicas boas para esvaziar-nos dos pensamentos, mas não para encher-nos de qualquer coisa de verdadeiramente transcendental e que pode dar a iluminação sobrenatural.

    No reler os escritos de S. Massimo Confessor temos o reconhecimento dos seguintes tipos de iluminação: a natural e a sobrenatural. “E que seja o mundo espiritual de Deus, imenso e resplandecente, composto das contemplações morais (vida activa), naturais (primeiras contemplações) e teológicas (contemplação de Deus)”.

    Ficar intrappolati pelas primeiras contemplações, aquelas naturais, e felicitar-se ilusoriamente destas é a experiência usual do não cristão. A força motriz do ardente desejo de encontrar Deus, deve impulsionar além a experiência da primeira iluminação.

    A vida activa perfeita, a meditação do vazio e a oração contínua do coração coadjuvados pelos Sacramentos fazem partícipes do Mistério do Oitavo dia.

    Quando a “Vigia perene” é conseguida tem-se o deixa passar ao Sacramentum octavi, justas as expressões de S. Agostino, porque só então será possível ver a glória de Deus nas “Divinas energias incriadas”.

    A constância do treinamento interior conduz à saída tornando-se um daqueles ao qual o Apocalipse segundo Giovanni anuncia: “O vencedor será portanto vestido de branco vestes e não cancelarei o seu nome do livro da vida, mas o reconhecerei diante ao meu Pai e diante aos seus anjos” .

     

  • O MISTÉRIO DO OITOVO DIA COROAÇÃO DA VIGIA PERENE

    T. Palamidessi O LABIRINTO DOS SONHOS E A VIGIA PERENE

    O sagrado é a torrente impetuosa e revolvente das aguas divinas meste mundo absolutamente diverso. Pela sua natureza neste mundo nada é jamais sagrado e santo, mas torna-o só por participação. O acto divino tira uma coisa ou um indivíduo do seu mundo empírico, natural, e o coloca em comunhão com as forças transcendentes e santificantes.

  • 38 Caderno: O Labirinto Dos Sonhos E A Vigia Perene

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